Procurando papai e
mamãe no relacionamento afetivo
Ela ama muito o seu filho. E
descobriu que o sufocou, transformando-o no "filhinho da mamãe".
Um menino frágil emocionalmente, que não sabe lidar com outras
mulheres e desvalida a pai dentro de si. Esta mãe vê no fracasso do
filho o seu próprio fracasso em relação aos homens. Pois se sente
fracassada como filha, em relação ao pai. Assim, tenta consertar o
filho.
Empurra ele, dá bronca, joga ele para a vida. Como um pai
faria. E este filho dá errado, honrando a imagem desvalidada do pai,
dentro da mãe. Volta com o rabinho entre as pernas, procurando o
colo.
Ele só quer a mamãe. Mas não encontra, porque a mãe, de
tanto estar presa à imagem do pai, masculinizou-se. Só sabe mandar.
Não sabe acolher. Esta mãe é a "filhinha do papai".
Alguém que, de tanto amar ou odiar o próprio pai, negou a mãe
dentro de si. Negou a mulher que ela é. Aprendeu isso dentro de
casa, olhando a relação dos seus pais. Neste jogo infindável,
continuamos a reproduzir o ódio entre homens e mulheres. Homens
frágeis emocionalmente e mulheres fazedoras, e solitárias.
Alguém
haverá de perguntar: e aí? Como é que se acaba isso? Teremos que
olhar para a raiva que carregamos. Raiva e dependência. Nós,
homens, a raiva do feminino. A tentativa de humilhar a mulher,
manipulá-la, para depois, descartá-las. Assim, voltamos ao colo da
mamãe em busca do colo que não tivemos.
Precisamos dar adeus à
mamãe! Nunca teremos este colo, e nossas mulheres não poderão
cumprir este papel maternal.
E você, mulher, precisa olhar para o
jogo de amor e ódio em relação ao pai. Que se reflete na sua
relação com os homens. Onde você recria a desconfiança,
manipulação e desonestidade que seus pais viveram. Papai nunca
estará com você! Ele não pode te preencher. Portanto, você se
condena a ser uma mulher solitária, enquanto espera a volta do
papai. Os homens da sua vida sentirão esta energia, e dirão: sim!
Você quer a solidão, eu a deixo só.... É necessário divorciar-se
do papai. Deixá-lo partir. De dentro de si.
Mesmo que isso doa
muito...
É preciso se expor sem
medo de dar vexame. É preciso colocar o trabalho na rua. É preciso
saber ouvir um não e, depois de secar as lágrimas, seguir
batalhando. Arriscar é o nome do jogo. Muitos perdem, poucos ganham.
Mas quem não tenta, não tem ao menos o direito de reclamar.
Martha
Medeiros