terça-feira, 29 de novembro de 2016

PAPAI E MAMÃE NO RELACIONAMENTO AFETIVO

Procurando papai e mamãe no relacionamento afetivo

Ela ama muito o seu filho. E descobriu que o sufocou, transformando-o no "filhinho da mamãe". Um menino frágil emocionalmente, que não sabe lidar com outras mulheres e desvalida a pai dentro de si. Esta mãe vê no fracasso do filho o seu próprio fracasso em relação aos homens. Pois se sente fracassada como filha, em relação ao pai. Assim, tenta consertar o filho. 

Empurra ele, dá bronca, joga ele para a vida. Como um pai faria. E este filho dá errado, honrando a imagem desvalidada do pai, dentro da mãe. Volta com o rabinho entre as pernas, procurando o colo. 

Ele só quer a mamãe. Mas não encontra, porque a mãe, de tanto estar presa à imagem do pai, masculinizou-se. Só sabe mandar. Não sabe acolher. Esta mãe é a "filhinha do papai". Alguém que, de tanto amar ou odiar o próprio pai, negou a mãe dentro de si. Negou a mulher que ela é. Aprendeu isso dentro de casa, olhando a relação dos seus pais. Neste jogo infindável, continuamos a reproduzir o ódio entre homens e mulheres. Homens frágeis emocionalmente e mulheres fazedoras, e solitárias.

Alguém haverá de perguntar: e aí? Como é que se acaba isso? Teremos que olhar para a raiva que carregamos. Raiva e dependência. Nós, homens, a raiva do feminino. A tentativa de humilhar a mulher, manipulá-la, para depois, descartá-las. Assim, voltamos ao colo da mamãe em busca do colo que não tivemos. 

Precisamos dar adeus à mamãe! Nunca teremos este colo, e nossas mulheres não poderão cumprir este papel maternal.

E você, mulher, precisa olhar para o jogo de amor e ódio em relação ao pai. Que se reflete na sua relação com os homens. Onde você recria a desconfiança, manipulação e desonestidade que seus pais viveram. Papai nunca estará com você! Ele não pode te preencher. Portanto, você se condena a ser uma mulher solitária, enquanto espera a volta do papai. Os homens da sua vida sentirão esta energia, e dirão: sim! Você quer a solidão, eu a deixo só.... É necessário divorciar-se do papai. Deixá-lo partir. De dentro de si. 

Mesmo que isso doa muito...


É preciso se expor sem medo de dar vexame. É preciso colocar o trabalho na rua. É preciso saber ouvir um não e, depois de secar as lágrimas, seguir batalhando. Arriscar é o nome do jogo. Muitos perdem, poucos ganham. Mas quem não tenta, não tem ao menos o direito de reclamar.

Martha Medeiros



terça-feira, 15 de novembro de 2016

O TALENTO NÃO É ALGO EM SI MESMO E SIM UM PROCESSO

O livro:  O Gênio em todos nós.  David Shenk aborda o assunto e tudo o que Você ouviu falar sobre genética, talento e  QI estava errado.

Abaixo trecho do livro

O talento não é algo em si mesmo, e sim um processo.

Isso não se parece nem um pouco com o que costumávamos pensar sobre talento. A julgar por expressões como “ele deve ter um dom”, “boa genética”, “talento natural” e “[corredor/atirador/orador/pintor] nato”, nossa cultura vê o talento como um recurso genético raro, algo que você tem ou não tem. Testes de QI e de outras “competências” sistematizam essa ideia, e escolas desenvolvem seus currículos baseadas nela. Ela é constantemente corroborada por jornalistas e até mesmo por vários cientistas. Esse paradigma do dom genético se tornou parte essencial da nossa compreensão da natureza humana.

Ele combina com o que aprendemos sobre DNA e evolução: Nossos genes são o modelo de quem nós somos. Genes diferentes nos tornam indivíduos diferentes com habilidades diferentes. Se não fosse assim, como o mundo teria indivíduos tão variados quanto Michael Jordan, Bill Clinton, Ozzy Osbourne e você?

No entanto, todo o conceito do dom genético é, na verdade, um grande equívoco – tragicamente mantido em voga por décadas a fio por uma série de mal-entendidos e metáforas enganosas. Nos últimos anos, tivemos o surgimento de uma montanha de evidências científicas que sugerem, de forma incontestável, um paradigma totalmente diferente: o que existe não é uma escassez de talento, e sim uma fartura de talento latente. De acordo com essa 18 A argumentação concepção, o talento e a inteligência humana não se encontram em níveis constantemente baixos, como os combustíveis fósseis, mas sim em níveis potencialmente abundantes, como a energia eólica. O problema não está nos nossos recursos genéticos inadequados, mas na nossa incapacidade, até o momento, de utilizar o que já possuímos.

Isso não quer dizer que não tenhamos diferenças genéticas importantes entre nós, que geram vantagens e desvantagens. É claro que temos, e essas diferenças trazem consequências profundas. 

Porém, a ciência contemporânea sugere que poucas pessoas conhecem seus verdadeiros limites, e que a grande maioria delas não chega nem perto de utilizar o que os cientistas chamam de “potencial irrealizado”. Ela também apresenta uma visão profundamente otimista da raça humana: “Não temos como saber quanto potencial genético irrealizado existe”, escreve Stephen Ceci, psicólogo do desenvolvimento da Universidade Cornell. Isso faz com que seja logicamente impossível insistir (como alguns de nós fazem) na existência de uma subclasse genética. A maior parte dos que possuem um desempenho abaixo da média muito provavelmente não é prisioneira de seu próprio DNA; essas pessoas têm sido apenas incapazes de alcançar seu verdadeiro potencial.

Esse novo paradigma não se limita a proclamar uma simples mudança do “inato” (nature) para o “adquirido” (nurture). Em vez disso, ele revela como na verdade essa dicotomia está falida e exige uma reavaliação a respeito de como nos tornamos nós mesmos. Este livro começa, portanto, com uma nova e surpreendente explicação de como funcionam os genes, seguida por uma análise detalhada das recém-descobertas matérias-primas do talento e da inteligência. quando juntamos tudo isso, o que surge é uma nova imagem de um processo de desenvolvimento fascinante, que podemos influenciar – embora nunca controlar por completo – como indivíduos, como famílias e como uma sociedade que incentiva o talento. Embora seja essencialmente auspicioso, esse novo paradigma também gera novas e inquietantes questões de ordem moral, com as quais todos nós teremos que lidar.

Seria um disparate afirmar que qualquer um pode literalmente fazer ou ser qualquer coisa, e esse tampouco é o objetivo deste livro. Porém, a ciência contemporânea nos diz que é igualmente absurdo pensar que a mediocridade Introdução 19 é inata à maioria das pessoas, ou que nós podemos saber quais são nossos verdadeiros limites antes de empregarmos nossa vasta gama de recursos e investirmos grande quantidade de tempo nisso. 

Nossas habilidades não estão gravadas de forma indelével em nossos genes. Elas são flexíveis e moldáveis, mesmo nas idades mais avançadas. Com humildade, esperança e determinação extraordinária, qualquer criança – dos oito aos oitenta anos – pode aspirar à grandeza.

Assim, todo conceito de dom genético é um grande equívoco. 

DAVID SHENK é autor de livros de grande sucesso como O jogo mortal, lançado pela Zahar, sobre relação entre xadrez e guerra, arte e ciência.