terça-feira, 30 de agosto de 2016

ARQUÉTIPOS FEMININOS

Os  arquétipos femininos apresentados trazem as questões básicas que definem as mulheres atuais, incluindo seus conflitos pela busca do crescimento pessoal.

Dez anos atrás as definições dos arquétipos femininos teriam sido diferentes, e podem mudar novamente daqui a dez anos. 

A linguagem dos arquétipos é a linguagem universal da alma humana, psiquicamente une todos nós no que o psiquiatra Carl Jung chamou de inconsciente coletivo. 

Estamos condicionados a "expressar arquétipos" da mesma maneira que estamos condicionados a engatinhar, andar e nos comunicar. Arquétipos, símbolos e mitos abrangem aspectos de nossa inteligência intuitiva.  Somos naturalmente intuitivos, tanto quanto acionamos esses sentidos para nossa própria sobrevivência. Você esteve em contato com o seu mundo mítico antes de aprender a ler e escrever. 

Cada arquétipo tem seu próprio sistema, com seu conjunto particular de crenças, mitos e "arquivos", coleções de símbolos culturais associados a cada um desses mitos.

Imagine a Terra e pense que existem bilhões de linhas cruzando a superfície em padrão muitas vezes aleatório, servindo como uma itensa rede de transferência de toda a atividade psíquica humana a uma velocidade muito rápida. Cada pensamento,sentimento,sensação e vibração humana são transmitidos instantaneamente por meio dessa rede arquetípica, transportando um ingrediente comum: poder da mente e energia.  Não importa o que você faça, pense, calcule, considere ou experimente, pois tudo será realizado com o poder da mente, que com sua energia é o único ingrediente comum a todas as suas ações humanas, desde o momento do seu nascimento até sua morte. Toda a sua vida é uma negociação de poder entre essa energia que transita por meio dessa rede arquetípica.

Pense sobre o porquê de você fazer as escolhas que faz e o que a motiva a agir como age.  Mas por que simplificar cada escolha a uma ponderação de probabilidades que são alcançadas por meio dessa rede energia? 

Ja nascemos conectados a esse rede social interna, a esse campo energético, chegando com uma mochila cheia de verdades e conhecimentos inerentes à experiência humana.

É o que conhecemos como uma profunda compreensão do certo errado.  Está na nossa memória celular.   Não estamos cientes dessas verdades contidas no DNA desde o nascimento, no entanto, tornamo-nos conscientes delas à medida que amadurecemos.  Esse é um conhecimento sagrado, que precisa ser despertado, vibrar de dentro para fora e ser reconhecido intuitivamente, e não de modo racional.   Se você já se perguntou qual é o verdadeiro propósito de sua vida, então você já começou o processo.  Essas agitações internas são um convite para despertar e buscar seu verdadeiro eu, sua essência.

Cada arquétipo faz parte de uma família arquetípica, um grupo de arquétipos com padrões semelhantes.  Abrangem tanto homens como mulheres.  A cuidadora, por exemplo é o membro principal da família dos afetuosos, um grupo associado à proteção, que inclui a mãe, o redentor, o mestre, o curador e o companheiro.
Da mesma forma, a rebelde vem de uma família de arquétipos que inclui o independente, o guerreiro e o herói.  

A base da curadora - conhecida como a jornada da curadora ferida - é única e não uma parte do arquétipo redentor.  Nem todos os arquétipos tem uma jornada de iniciação.  Iniciação é um ritual sagrado associado a arquétipos que servem a um papel sagrado, como a cura.  A jornada da curadora ferida é uma iniciação importante em que muitos podem se reconhecer.

Começa com uma ferida, que pode ter surgido na forma de um grave acidente, uma doença, circunstâncias que a pessoa perca a maior parte de suas posses, ficando entre entrar em colapso ou tomar as rédeas da própria vida. 

 A ferida leva a pessoa a uma escolha de "tudo ou nada" e lhe oferece a oportunidade de transformar completamente sua relação com o poder pessoal.   Até aquele momento definia poder pessoal como algo externo - posicão social, dinheiro,fama,segurança e convicção em sua própria invencibilidade. 

 A ferida destroi a ilusão de que qualquer uma dessas coisas sejam verdadeiramente engrandecedoras, mostrando o vazio, a falsa promessa das definições externas de poder pessoal.   A escolha para a curadora ferida é se desfazer de todas as suas crenças sobre o poder e segurança material e descobrir um padrão de cura alternativa.  Assim, ela compreende que sua ferida só pode ser curada em total parceria com o seu espírito.

Muitos experimentam recuperações notáveis de doenças ou situações que teriam levado outras pessoas à morte.  Durante a superação de sua adversidade, eles se tornam aptos a ajudar os outros na cura de suas feridas.

Os arquétipos citados abordam os símbolos contemporâneos de poder e trazem os desafios pessoais mais prementes que as mulheres enfrentam atualmente.  Desafios pessoais são arquétipos citados, pois também se originam em nossos padrões arquetípicos.  Ninguém nasce com uma autoestima perfeita, mas ela direciona todas as nossas ações.  As mulheres, em particular, enfrentam o desafio de desenvolver esse sentimento de poder pessoal e identidade.

Sem essa qualidade essencial da autoestima, a pessoa não será capaz de ouvir sua orientação intuitiva nem confiará na intelectual quando estiver envolvida com novas idéias.

Poucos sentimentos na vida têm a força positiva da genuína autoestima ou o efeito negativo da sua falta.

Arquétipos se comunicam psiquicamente por meio de palpites, intuições, instintos, "arrepios" o "frio" na espinha, além de outras sensações físicas. É possível ler a linguagem fluida da própria intuição a medida que se sente confortável com essas sensações interiores.

Padrões arquetípicos filtram todos os aspectos de sua vida, por esse motivo é importante descobrir como se expressam em suas decisões cotidianas e em sua rotina.  Seus arquétipos influenciam seus hábitos e suas compras. Têm influência direta na qualidade dos seus relacionamentos e por quem você se sente atraída e por quê.  Também inspiram questões recorrentes: discussões que parecem frequentes; dificuldades no trabalho que insistem em aparecer.  Qualquer coisa recorrente é uma pista sobre o que os arquétipos estão provocando em sua vida.

Há um número infinito de arquétipos no inconsciente coletivo.  Muitos são universais e atemporais, outros são novos e os criamos à medida que continuamos a evoluir.  

Apenas por diversão, da próxima vez que você for às compras, observe como toma a decisão das compras que faz.  Quando você encontra algo de que realmente gosta, é atraído não apenas por causa do tamanho, da cor e do preço, mas também porque projeta uma mensagem simbólica.

Será que a peça é divertida, sexy, elegante ou graciosa ou cheia de vida?

Você encontrou o objeto que projeta exatamente o tipo de energia que você estava procurando.

Com a prática, desenvolvemos um "olho arquetípico", uma habilidade para diferenciar entre o que são nossos próprios padrões de pensamentos e comportamento e vemos claramente os mitos que vivemos.

Não se pode mudar o padrão arquetípico que estão em nós desde o nascimento, talvez deste o útero até, mas pode-se amadurecer suas influências.   Pode-se transformar a criança ferida em criança mágica, ou seja, as feridas de nossa infância nunca nos deixam, mas podemos curar suas influências sobre nós.

A vida traz oportunidades para nos observarmos em ação: no amor, nas adversidades, no estresse, durante o parto, agindo espontaneamente, lidando com a perda.  Evoluímos e amadurecemos ao longo da vida, mas sempre ligados aos nossos arquétipos.

A ADVOGADA 


Missão: ser uma representante consciente das mudanças sociais/ambientais positivas
Desafio: encontrar uma causa que envolva sua força e talento em vez de sua raiva ou reinvindicações pessoais.
Virtude: Esperança
Negativo: Acreditar que os outros devem reconhecer o valor do seu trabalho. Acreditar que seu trabalho tem mais propósitos do que o dos outros.
Padrões de comportamento: Está empenhada nas transformações sociais, políticas e do meio ambiente. Esta comprometida com a promoção das causas comunitárias. Fala em nome dos menos favorecidos. Luta pela defesa do meio ambiente e dos direitos humanos.




 A ARTISTA/CRIATIVA

Missão: Cultivar a imaginação e explorar novas maneiras de expressão criativa.
Virtude: Criatividade
Negativo: Medo de ser uma pessoa comum ou de não ser reconhecida por seus dons artísticos, ou ressentida caso tenha  optado por não desenvolver seu lado artista/criativo interior.
Padrões de comportamento: Vê beleza em todos os lugares. Ganha vida na frente de uma platéia. Faz música ou aprecia. Sonha em ver seu nome na lista dos mais vendidos. Anseia por encontrar sua expressão artística.  Compromete-se com todo o coração a realização seus sonhos criativos.
Desafio: Posso desenvolver o meu talento e me expressar, ou será que o medo do fracasso ou da humilhação serão impedimentos?



A ATLETA

Missão: Experimentar a vida por meio da força e resistência do corpo fisico.
Virtude: Determinação
Negativo: Acreditar que a força física é suficiente para atingir todos os objetivos da vida.
Padrões de comportamento: Cuida muito do seu corpo. Desfruta fisicamente de atividades desafiadoras. É muito competitiva, mas sempre joga limpo. Inclui massagens e terapias corporais à sua rotina de fitnesss Socializa com outros atletas em busca de inspiração e apoio.
Desafio: Quem sou eu além de uma atleta?





A CUIDADORA

Missão: Cuidar dos outros da maneira que não são capazes de cuidar de si mesmas.
Virtude: Compaixão
Negativo: Sentir-se rancorosa e desamparada
Padrões de Comportamento: Nunca se recusa a ajudar qualquer pessoa. Apresenta-se como esteio da família. Escolhe uma profissão relacionada aos cuidados com os outros. Vê o fato de ajudar aos outros como um chamado. É um modelo de compaixão e generosidade.
Desafio: Cuidar suficiente de si mesma para descobrir quem realmente é.





A FASHIONISTA




Missão: Buscar uma vida que não se fundamente apenas na aparência, mas no aprimoramento pessoal.
Virtude: Exuberância
Negativo: Patinho feio que nunca se torna um cisne.
Padrões de Comportamento: Gosta de moda sem ser escrava dela. Sempre está bem-arrumada.Usa a moda para desenvolver uma autêntica auto-estima. Ajuda os não conectados na moda a encontrarem seu estilo pessoal.
Desafio: Como fazer da moda um estilo de vida que reflita quem sou e faça de mim uma pessoa melhor?


 
A INTELECTUAL

Missão: Buscar o conhecimento pelo conhecimento e descobrir a verdade em todas as suas expressões.
Virtude: Sabedoria
Negativo: Usar habilidades intelectuais para manipular e comprometer a verdade
Padrões de Comportamento: Aprende pela paixão de aprender. Reage diante da vida com a razão antes do coração. Observa atentamente e considera todas as opções antes de agir. Desenvolve a sabedoria para melhorar a própria vida e a dos outros.
Desafio:Não pensar demais


A RAINHA/EXECUTIVA

Missão: Aprender a ser responsável pelo bem-estar dos outros
Virtude:Generosidade
Negativo:Comprometer sua integridade para manter seu trono
Padrões de Comportamento: Lidera situações para obter o máximo resultado. Lidera como figura central sem se envolver. Usa sua influência para capacitar outras pessoas. Olha para suas qualidades o tempo todo. É um modelo de compaixão e generosidade.
Desafio: Compartilhar o poder nas relações íntimas







A REBELDE

Missão: Quebrar as barreiras que restringem as liberdades fundamentais do espírito humano.
Virtude: Justiça
Negativo: Confrontar um ego motivado por interesses pessoais para ganhar a atenção
Padrões de Comportamento: Se expressa contra a discriminação e a opressão. Desafia a justiça. Usa um estilo ousado e original. FAz as coisas de maneira não tradicional. Escolhe um caminho menos percorrido. Introduz radicalmente novas ideias culturais. Tem êxito em criar "problemas".
Desafio: Não permitir que a rebelde controle sua natureza emocional.


A BUSCADORA ESPIRITUAL/MÍSTICA

Missão: Tornar-se uma pessoa espiritualmente harmoniosa
Virtude: Humildade
Negativo: As regras comuns da vida não se aplicam a mim porque sou espiritualizada e, portanto, especial. Nada de ruim vai acontecer comigo, porque estou em um caminho espiritual.
Padrões de Comportamento: Confia na intuição condicionalmente.Busca uma percepção sobre quem ela é realmente. Procura o verdadeiro significado e propósito da sua vida. Compromete-se com um caminho de evolução espiritual. Dá prioridade à compreensão espiritual.Quer mais da vida do que apenas sucesso material.
Desafio: Despertar sua inteligência intuitiva.

A VISIONÁRIA

Missão: Trazer o futuro para o presente
Virtude: Coragem
Negativo: Abusar do seu poder visionário para imaginar os piores resultados possíveis
Padrões de Comportamento: Libertar-se das expectativas tradicionais e das regras. Atua como agente de mudança. Conta com a orientação dos sonhos. Olha para o futuro e enxerga o que poderia.
Desafio: Vislumbrar novas possibilidades para a humanidade e trazer o futuro para o presente


Você se reconhece em algum arquétipo? Em mais de um?

Espero ter colaborado para seu auto-conhecimento um pouquinho mais.

Namastê


Fonte: Arquétipos - Caroline Myss
 
 

 










 






terça-feira, 23 de agosto de 2016

O QUE SÃO ARQUÉTIPOS?




O conceito de arquétipo e inconsciente coletivo fazem parte das teorias mais conhecidas de Carl J. Jung.

Já em 1936 publica descrições de arquétipos específicos como o da mãe, do renascimento, da criança divina, a donzela.  Estuda a relação dos arquétipos com o processo de individuação no ensaio "Consciência,inconsciente e individuação"

Para aqueles que desejam trilhar o caminho do auto-conhecimento entender estes conceitos é um passo importante.  Sem auto-investigação o indivíduo segue muitas vezes sem  expressão total do seu potencial, realização dos seus sonhos e felicidade.

Para Freud o inconsciente é de natureza exclusivamente pessoal. Uma camada mais ou menos superficial do inconsciente é pessoal. Este porém repousa sobre uma camada mais profunda, que já não tem origem em experiências ou aquisições pessoais, sendo inata, universal, de conteúdos e comportamentos comuns a todos os indivíduos.

Os conteúdos do inconsciente pessoal são principalmente os complexos emocionais, que se referem a intimidade pessoal da vida anímica.(alma)

Os conteúdos do inconsciente coletivo, são chamados Arquétipos. Os conteúdos do inconsciente coletivo,  de tipos arcaicos - ou melhor - primordiais, isto é, de imagens universais que existiram desde os tempos mais remotos.

Uma forma bem conhecida de expressão dos arquétipos é encontrada no mito e no conto de fada.

Até hoje os estudiosos da mitologia contentavam-se em recorrer a idéias solares, lunares, meteorológicas, vegetais, etc. O fato de que os mitos são antes de mais nada manifestações da essência da alma foi negado de modo absoluto até nossos dias.

O homem primitivo não se interessa pelas explicações objetivas do óbvio, mas, por outro lado, tem uma necessidade imperativa, ou melhor, a sua alma inconsciente é impelida irresistívelmente a assimilar toda experiência externa sensorial.

O inconsciente coletivo é uma parte da psique que pode distinguir-se de um inconsciente pessoal pelo fato de que não deve sua existência à experiência pessoal, não sendo portanto uma aquisição pessoal. 

Enquanto o inconsciente pessoal é constituído essencialmente de conteúdos que já foram conscientes e no entanto desapareceram da consciência por terem sido esquecidos ou reprimidos, os conteúdos do inconsciente coletivo nunca estiveram na consciência e portanto não foram adquiridos individualmente, mas devem sua existência apenas à hereditaríedade.

 Enquanto o inconsciente pessoal consiste em sua maior parte de complexos, o conteúdo do inconsciente coletivo é constituído essencialmente de arquétipos*.

 O conceito de arquétipo, que constitui um correlato indispensável da idéia do inconsciente coletivo, indica a existência de determinadas formas na psique, que estão presentes em todo tempo e em todo lugar. 

Os arquétipos são conjuntos de "imagens primordiais" originadas de uma repetição progressiva de uma mesma experiência durante muitas gerações, armanezadas no inconsciente coletivo.

Os arquétipos da Morte, do Herói, do Fora da Lei, são exemplos de algumas figuras que todos nós temos no imaginário desde criança.Independe do país, da cidade, dos pais, de religiões e crenças , essas imagens são muito parecidas para todos.

É por isso que os arquétipos estão presentes nos mitos, lendas e contos de fadas. São eles que dão o verdadeiro significado para as estórias que passamos de geração em geração.  As pessoas criam estas estórias para externar o que existe no inconsciente.

Hoje os arquétipos podem ser encontrados nos filmes, na publicidade e em quase tudo que está ao nosso redor.

Existem muitos arquétipos.  Os 10 Arquétipos mais comuns

O INOCENTE

Maior Desejo: Chegar ao paraíso 
Ideal: Livre para ser você e eu
Objetivo: Ser Feliz
Estratégia: Fazer as coisas certas
Talento: Fé e otimismo
Fraqueza: chato por toda a sua inocência ingênua
Maior Medo: Ser punido por ter feito algo de ruim ou errado


O Inocente também é conhecido como: utópico, tradicionalista, ingênuo, místico, santo, romântico, sonhador.

 O ORFÃO
Desejo : Ligação com os outros
Ideal: Todos os homens e mulheres são iguais
Objetivo: Fazer parte
Maior medo: Ficar de fora ou se destacar da multidão
Estratégia: Desenvolver sólidas virtudes comuns, seja para a Terra ou o contato comum
Fraqueza: Perder o próprio Eu em um esforço para se misturar ou por uma questão de relações superficiais
Talento: O realismo, a empatia, a falta de pretensão
A pessoa normal também é conhecida como: O bom menino velho, o homem comum, a pessoa da porta ao lado, o realista, o cidadão sólido, o trabalhador rígido, o bom vizinho, a maioria silenciosa.

O HEROI

Desejo: Provar o valor para alguém através de atos corajosos
Ideal: Onde há uma vontade, há um caminho
Objetivo: Especialista em domínio de um modo que melhore o mundo
Maior medo: Fraqueza, vulnerabilidade, ser um “covarde”
Estratégia: Ser tão forte e competente quanto possível
Fraqueza: Arrogância, sempre precisando de mais uma batalha para lutar
Talento: Competência e coragem
O herói também é conhecido como: O guerreiro, o salvador, o super-herói, o soldado, o matador de dragão, o vencedor e o jogador da equipe.

O CUIDADOR
Desejo: Proteger e cuidar dos outros
Ideal: Ame o seu próximo como a si mesmo
Objetivo: Ajudar os outros
Maior medo: Egoísmo e ingratidão
Estratégia: Fazer coisas para os outros
Fraqueza: Martírio e ser explorado
Talento: Compaixão e generosidade
O cuidador também é conhecido como: O santo, o altruísta, o pai, o ajudante, o torcedor.

O EXPLORADOR
Desejo : A liberdade de descobrir quem é através da exploração do mundo
Ideal: Não me cerque
Objetivo: A experiência de um mundo melhor, mais autêntico, mais gratificante na vida
Maior medo: Ficar preso, conformidade e vazio interior
Estratégia: Viajar, procurar e experimentar coisas novas, fugir do tédio
Fraqueza: Perambular sem destino tornando-se um desajustado
Talento: Autonomia, ambição, ser fiel a sua alma
O explorador também é conhecido como: O candidato, o iconoclasta, o andarilho, o individualista, o peregrino.

O REBELDE

Desejo : Vingança ou revolução
Ideal  : As regras são feitas para serem quebradas
Objetivo: Derrubar o que não está funcionando
Maior medo: Ser impotente ou ineficaz
Estratégia: Interromper, destruir ou chocar
Fraqueza: Cruzar para o lado negro do crime
Talento: Ousadia, liberdade radical
O rebelde também é conhecido como: O ilegal, o revolucionário, o homem selvagem, o desajustado, o iconoclasta.



O GOVERNANTE

Desejo: Controle e poder
Ideal : O poder não é qualquer coisa, é a única coisa
Objetivo: Criar uma família ou uma comunidade bem sucedida e próspera
Estratégia: Exercer o poder
Maior medo: O caos, ser destituído
Fraqueza: Ser autoritário, incapaz de delegar
Talento: Responsabilidade, liderança
O Governante é também conhecido como: O chefe, o líder, o ditador, o aristocrata, o rei, a rainha, o político, o gerente, o administrador.

O SÁBIO

Desejo : Encontrar a verdade
Ideal: A verdade vos libertará
Objetivo: Usar a inteligência e a análise para compreender o mundo
Maior medo: Ser enganado, iludido, ou ser ignorante
Estratégia: Buscar informação e conhecimento, auto reflexão e compreensão dos processos de pensamento
Fraqueza: Pode estudar detalhes para sempre e nunca agir
Talento: Sabedoria, inteligência
O Sábio também é conhecido como: O perito, o erudito, o detetive, o conselheiro, o pensador, o filósofo, o acadêmico, o pesquisador, o pensador, o planejador, o profissional, o mentor, o professor, o contemplador.

O TOLO

Desejo:  Viver para o momento com pleno gozo
Ideal: Só se vive uma vez
Objetivo: Ter um grande momento e iluminar o mundo
Maior medo: Se aborrecer ou chatear os outros
Estratégia: Jogar, fazer piadas, ser engraçado
Fraqueza: Frivolidade, desperdício de tempo
Talento: Alegria
O tolo também é conhecido como: O bobo da corte, o malandro, o palhaço, o brincalhão, o comediante.

O MÁGICO

Desejo central: Compreensão das leis fundamentais do universo
Ideal: Eu faço as coisas acontecerem
Objetivo: Realizar sonhos
Maior medo: Consequências negativas não intencionais
Estratégia: Desenvolver uma visão e viver por ela
Fraqueza: Se tornar manipulador
Talento: Encontrar soluções ganha-ganha
O mágico também é conhecido como: O visionário, o catalisador, o inventor, o líder carismático, o xamã, o curandeiro, o feiticeiro.


Fonte: Os Arquetipos e o Inconsciente Coletivo - Carl Jung- Editora Vozes


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A LENDA DO BARBA-AZUL - PREDADOR INTERIOR


A lenda do Barba-Azul faz parte do livro "Mulheres que correm com os Lobos" de Clarissa Pinkola Estés.  Ela é analista junguiana, contadora de histórias,doutora em estudos multiculturaiss e psicóloga clínica.

A lenda do Barba-Azul fala sobre os vários aspectos da psique feminina, revelando a psicologia da mulher em seu estado mais puro na busca do auto-conhecimento. Barba-Azul mostra como sarar as feridas que parecem não ter cura.

Psiquê ou psique vem do grego, que na mitologia grega é uma divindade que representa a personificação da alma. 

A alma ou psique, é o elemento intrínseco no ser vivo, sendo diferenciada entre homens e animais somente pela intensidade e profundidade em que ocorre com cada um deles. A alma ou psique, compõe humanamente falando as faculdades de expressar as emoções humanas.

Exemplos das funções da psique ou alma: raciocinar, refletir, pensar, definir, alegrar, zangar, chorar, desejar, executar, ....

O conto descrito pela autora,  trata de uma mocinha que é iludida pelo Barba-azul, um homem sinistro e misterioso, e ela, por ingenuidade, é levada a crer, por si própria, que ele é um bom homem e que poderá dar a ela a vida que sempre sonhou.

No entanto, o Barba-azul, depois de casar-se com a mocinha, resolve testá-la oferecendo-lhe uma falsa liberdade para fazer aquilo que bem quiser, exceto uma única coisa – usar uma certa chave de um misterioso cômodo da casa.

 A mocinha, ingênua e tomada pela curiosidade, acaba traindo a confiança de seu marido fazendo exatamente aquilo que lhe foi proibido, e quase é levada à morte. Porém, no final, a mocinha consegue reunir forças e escapar de seu predador, que acaba tendo um final terrível.



                                                                                A Lenda

Conta-se que existe uma mecha de barba azul que fica guardada no convento das freiras em montanhas distantes. Essa mecha de barba azul, tão azul quanto o gelo escuro do lago, pertenceu um dia alguém de quem se dizia ser um mágico fracassado, um homem gigantesco com uma queda por mulher, um homem conhecido pelo nome de Barba-Azul.

Dizia-se que ele cortejava três irmãs ao mesmo tempo. As moças porém tinham pavor daquele pedaço de barba azul e se escondiam quando ele chamava.  Num esforço para convencê-las da sua cordialidade, ele as convidou para um passeio na floresta. Chegou conduzindo cavalos enfeitados com sinos e fitas cor-de carmim.  Acomodou as irmãs e a mãe nos cavalos e partiram a meio-galope floresta adentro.  Lá passaram um dia maravilhoso cavalgando, e seus cães corriam a seu lado e à sua frente.  Mais tarde, pararam debaixo de uma árvore gigantesca e o Barba-azul as regalou com historias e lhes serviu guloseimas.

"Bem, talvez esse Barba-azul não seja um homem tão mau assim", começaram a pensar as irmãs.

Voltaram para casa tagarelando sobre como o dia havia sido interessante e como haviam se divertido.Mesmo assim, as suspeitas e temores das duas irmãs mais velhas voltaram, e elas juraram que não veriam o Barba-azul de novo.  A irmã mais nova, no entanto, achou que, se um homem podia ser tão encantador, talvez ele não fosse tão mau.  Quanto mais ela falava consigo mesma, menos assustador ele lhe pareceria, e sua barba também parecia ser menos azul.

Assim, quando o Barba-azul pediu sua mão em casamento, ela aceitou.  Ela havia refletido muito sobre a sua proposta e concluído que ia se casar com um homem muito distinto.  Foi assim que se casaram e em seguida, partiram para seu castelo no bosque.

Um dia ele disse que ia viajar por algum tempo. Convide sua família para vir aqui se quiser. Pode cavalgar nos bosques, mandar os cozinheiros prepararem banquete, pode fazer o que quiser, qualquer desejo que o seu coração tenha.  Tome minhas chaves. Pode abrir toda e qualquer porta das despensas, dos cofres, qualquer porta do castelo;  mas essa chavinha, a que tem no alto uns arabescos, você não deve usar.

Está bem disse ela, ela está tudo certo. Poder ir, meu querido,e não se preocupe e volte logo. Ele partiu e ela ficou.

Suas irmãs vieram visitá-la e alegremente a jovem esposa contou que poderiam fazer o que quizessem, entrar em qualquer aposento dos 3 andares do castelo, exceto um.

As irmãs resolveram fazer um jogo para ver que chave servia em que porta.  Cada ala do castelo tinha cem portas, e como havia muitas chaves no chaveiro, elas iam de porta em porta, divertindo-se imensamente ao abrir cada uma delas.  Atras de uma porta havia uma despensa para mantimentos, atras de outra, um depósito de dinheiro.  Todos os tipos de bens estavam atras das portas, e tudo parecia maravilhoso o tempo todo.  Afinal, depois de verem todas aquelas maravilhas, elas acabaram chegando ao porão e, ao final do corredor, uma parede fechada.

Ficaram intrigadas com a última chave, a que tinha o pequeno arabesco.
..............
Sem pestanejar, uma das irmãs pós a chave na fechadura e a girou. O trinco rangeu, a porta abriu-se, mas lá dentro estava tão escuro que nada se via.

Uma vela foi acesa e mantida no alto um pouco para dentro do aposento e as três mulheres gritaram ao mesmo tempo, porque no quarto havia uma enorme poça de sangue; ossos humanos enegrecidos estavam jogados por toda a parte e crânios estavam empilhados nos cantos como pirâmides de maçãs.

A jovem esposa tenta desesperadamente se livrar da chave que vertia sangue sem parar, sujando seu vestido.  Quarda-a então em seu guarda-roupa.

No outro dia o Barba-Azul volta e logo sente falta da pequena chave.  A jovem esposa tenta de todas as formas convencê-lo de que perdeu a pequenina Chave.  Ele furioso e esbravejante fala que ela o traiu e por tal motivo terá o mesmo fim de suas outras esposas.

Tenta arrastá-la para o quarto escuro e ela pede um tempo para rezar e se redimir com Deus.

A esposa correu escada acima até seus aposentos e determinou que suas irmãs fossem para a muradas do castelo.  Irmãs, irmãs, vocês estão vendo a chegada dos nossos irmãos?

- Não vemos nada na planície nua.
A cada instante ela gritava para as muradas.
- Irmãs, irmãs! Estão vendo nossos irmãos chegando? Gritou ela mais uma vez.

O Barba-azul berrou novamente pela esposa e veio subindo a escada de pedra com passos pesados.

- Estamos vendo nossos irmãos - exclamaram as irmãs.  Eles estão aqui e acabam de entrar no castelo.

O Barba-azul vinha pelo corredor na direção dos aposentos da esposa.

No instante que o Barba-azul entrou nos aposentos para agarrá-la seus irmãos chegaram galopando pelo corredor do castelo ainda montados, entrando assim no quarto.  Ali eles encurralaram o Barba-azul fazendo com que saisse até a balaustrada.  Ali mesmo com suas espadas, avançaram contra ele, golpeando e cortando, fustigando e retalhando, até derrubá-lo ao chão, matando-o afinal e deixando para os abutres o que sobrou dele.

                                            O Predador Natural da Psique


Pela autora, o Barba-azul representa uma força obscura dentro de nós mesmas, que pode até nos levar à morte, se não tomarmos o conhecimento devido à tempo. 

Segundo a autora:
“Compreender o predador significa tornar-se um animal maduro, pouco vulnerável à ingenuidade, inexperiência ou insensatez”.
Quantas vezes nos deixamos levar por alguém ou por uma circunstância quando estamos mais vulneráveis? Quantas vezes somos ingênuas o bastante para nos convencer de uma coisa qualquer simplesmente porque desejamos algo ou alguém naquele momento? Quantas vezes nos colocamos em situações que nos falta experiência para lidar com elas, e acabamos nos dando mal? Quantas vezes entramos em relacionamentos fadados à acabar mal?

Muitas vezes somos ingênuas e nos convencemos de entrar em situações confusas, ou que desconhecemos por inteiro. Na real, o ser-humano é capaz de se convencer de qualquer coisa para satisfazer seus próprios desejos internos mais profundos.
 
 Ignoramos deliberadamente aquele alerta de perigo e nos convencemos do oposto.

Como a mocinha do conto, quando imaturas, e desconhecemos este “predador”, somos propensas a enxergar somente aquilo que está na nossa cara, e ignoramos aquilo que não queremos ver.

O auto-conhecimento nos leva a  tomar decisões e para agir em determinadas situações, com mais assertividade.   Muitas vezes somos levadas a acreditar em falsas verdades, e ao invés de vivermos livres de posse de nossos próprios pensamentos e crenças.  Escolhemos viver falsamente, acreditando que somos felizes desta maneira, quando na verdade, estamos sendo vítimas de nos mesmas.

                                         A Chave do conhecimento - A Cura

E a chavinha minúscula?  Ela é o acesso ao segredo que todas as mulheres sabem e ainda assim não sabem.  A chave é tanto uma permissão quanto um apoio para ela conheça os segredos mais profundos, mais obscuros da psique, nesse caso aquilo que degrada e destrói estupidamente o potencial de uma mulher.

O Barba-azul proíbe a jovem de usar a única chave que a traria de volta à consciência.  Se ela tentar obedecer à ordem do Barba-azul no sentido de não usar a chave, estará escolhendo a morte para seu espírito. 

Como a mocinha do conto, somos facilmente seduzidas com inúmeras promessas, sejam de conforto, ascensão social, diversão, arte, beleza, seja de um relacionamento duradouro.

O ponto crucial, segundo a autora, é fazer as perguntas certas, de forma honesta, que nos levará às respostas concretas.
O que eu quero para mim realmente? No que eu acredito? Por que desejo tal coisa ? O que isso realmente representa para mim neste momento?  Sei para onde estou indo? Que consequências isto irá me trazer?

É preciso fazer as perguntas e obter as respostas, seguir nossos instintos, enxergar no escuro, reunir energia psíquica, saber a hora de partir, recuar e se preparar. Ganhar tempo, analisar, investigar, interpretar.

Tudo isto faz parte de um plano de sobrevivência para vencer em uma situação seja ela qual for.
Seja um problema familiar, um término de relacionamento, o desemprego, ou até se desprender de pessoa opressora.

É preciso parar para ganhar tempo, esperar a hora certa de agir, planejar ,reunir forças antes de realizar qualquer mudança externa, ou dar um grito de liberdade.

A pergunta correta provoca a germinação da consciência.  As perguntas são as chaves que fazem com que as portas secretas da psique se escancarem.


Segundo a autora, existe uma hora para tudo – uma hora para estremecer, de correr de pavor e a hora de simplesmente não agir desta forma. Pois, no momento certo, na hora de agir, uma mulher não deve estremecer e muito menos rastejar – é hora de ressurgir das cinzas e dar o bote final.

Estou lendo o livro Mulheres que Correm com os Lobos pela segunda vez. Achei tão revelador e divido com vocês, almas femininas.

O meu propósito aqui é convidá-las a leitura deste fantástico livro. Ali contém vários contos fascinantes que irá nos levar a  dissipar a cortina de fumaça de uma vez por todas, sejam lá quaisquer que sejam as situações  em que nos colocamos de vez em quando em nossas vidas.

No livro existe um aprofundamento muito maior do que o colocado aqui. Uma lição para levar conosco e passar de geração em geração.

Não importa a idade,  o que vale aqui é a vivência de cada uma de nós, a maturidade e imaturidade, a experiência e inexperiência, a ingenuidade e sagacidade de cada uma de nós ao depararmos com qualquer situação que exija de nós uma maior atenção.

A cura, tanto para a mulher ingênua, quanto para a que teve os instintos fragilizados é a mesma: tentar prestar atenção à sua intuição, à sua voz interior; faça perguntas, seja curiosa; veja o que estiver vendo; ouça o que estiver ouvindo; e então aja com base no que sabe ser verdade.  Esses poderes intuitivos foram concedidos à sua alma. 

Conto extraído do livro: Mulheres que Correm com os Lobos - Clarissa Pinkola Estés, comentários e reflexões livres.