terça-feira, 16 de abril de 2019

A NATUREZA DO CAMINHO INTERIOR





Dependemos da natureza não só para nossa sobrevivência física. 

Também necessitamos da natureza para que nos ensine o caminho para “casa”, o caminho de saída da prisão das nossas mentes.

Nós nos perdemos no “fazer”, no “pensar”, no “recordar” e no “antecipar”. 

Estamos perdidos em um complexo labirinto, em um mundo de problemas.

Temos esquecido daquilo que as rochas, as plantas e os animais já sabem. 

Nós nos esquecemos de ser: de ser nós mesmos, de estar em silêncio, de estar onde a vida está. Aquí e agora!

Levar a sua atenção a uma pedra, a uma árvore ou a um animal, não significa “pensar neles”, senão simplesmente percebê-los, dar-se conta deles.

Então eles lhe transmitem algo da sua essência. 

Você sente o quão profundamente descansa no ser, completamente unificado com aquilo que você é e com o lugar onde está.

Ao se dar conta disso, você também entra em um lugar de profundo repouso dentro de si mesmo.

Quando caminhar ou descansar na natureza, honra este reino, permanecendo nele plenamente.

Serene-se. Olhe. Escute. Observa como cada planta e animal são completamente eles mesmos. 

Diferente dos humanos, eles não estão divididos em dois.

Não vivem através de imagens mentais de si mesmos, e por isso não têm que se preocupar em proteger e potenciar essas imagens.

Todas as coisas naturais, além de estarem unificadas consigo mesmas, estão unificadas com a totalidade.

Não se separaram do entremeado da totalidade, reclamando uma existência separada: “eu”, o grande criador de conflitos.

Você não criou o seu corpo, e tampouco é capaz de controlar suas funções corporais.

Em seu corpo atua uma inteligência maior que a mente humana. É a mesma inteligência que sustenta tudo na natureza.

Para se acercar ao máximo a esta inteligência, seja consciente do seu próprio campo energético interno, sente a vida, a presença que anima seu organismo.

Quando percebe a natureza tão só através da mente, através do pensamento, você não pode sentir a sua plenitude de vida, o seu ser.

Unicamente, vê a forma e não é consciente da vida que a anima, do mistério sagrado.

O pensamento reduz a natureza a um bem de consumo, a um meio de conseguir benefícios, conhecimento, ou algum outro propósito prático.


Observe, sente um animal, uma flor, uma árvore, e veja como descansam no ser.
Cada um deles é ele mesmo. Possuem uma enorme dignidade, inocência, santidade.

No momento em que olha mais além dos rótulos mentais, você sente a dimensão inefável da natureza, que não pode ser compreendida pelo pensamento.

É uma harmonia, uma sacralidade que além de compreender a totalidade da natureza, também está dentro de você.

O ar que respira é natural, como o próprio processo de respirar. Dirija a atenção à sua respiração e se dê conta de que não é você quem respira. 

A respiração é natural.

Conecte-se com a natureza do modo mais íntimo e interno, percebendo a sua própria respiração e aprendendo a manter a sua atenção nela. 

Esta é uma prática muito curativa e energizante.

Produz uma transformação de consciência que lhe permite passar do mundo conceitual do pensamento ao campo da consciência incondicionada.

Você necessita que a natureza lhe ensine e lhe ajude a se reconectar com seu ser.

Você não está separado da natureza. 

Todos somos parte da vida única que se manifesta através das incontáveis formas em todo o universo, formas que estão, todas elas, completamente interconectadas.

Quando você reconhece a sacralidade, a beleza, a incrível quietude e dignidade nas quais uma flor ou uma árvore existem, você agrega algo a essa flor ou a essa árvore.

Pensar é uma etapa na evolução da vida.

A natureza existe em uma quietude inocente que é anterior à aparição do pensamento.
Quando os seres humanos se aquietam, vão mais além do pensamento.

A quietude que está mais além do pensamento. Contém uma dimensão ampliada de conhecimento, de consciência.

A natureza pode levá-lo à quietude. Este é o presente dela para você.

Quando você percebe a natureza e se une a ela no campo da quietude, ela se preenche da sua consciência. 

Este é o seu presente para a natureza.

Através de você a natureza toma consciência de si mesma. 

É como se a natureza estivesse esperando você durante milhões de anos para fazê-lo.
~ Eckhart Tolle



quinta-feira, 11 de abril de 2019

COMO AS VIVÊNCIAS DA INFÃNCIA INFLUENCIAM SUA VIDA ADULTA

(Texto de Joan Garriga)





Entre as vivências que temos com nossos pais se encontram as doces, que nos fazem sorrir e nos sentir bem, e as amargas que nos doem e nos contraem. 

As primeiras parecem nos impulsionar para a vida, e as outras parecem nos entorpecer. 

A tentação para muitos consiste em querer aceitar apenas o positivo e expulsar o negativo, e isso tem uma lógica esmagadora: queremos nos afastar daquilo que nos causou, ou ainda causa, dor. 

Assim, alguns recusam os pais e o que vêm deles.

No entanto, temos de compreender que a lógica emocional dos afetos funciona de maneira precisamente pouco lógica. 

E mais paradoxal e independente de nossa vontade, motivo pelo qual frequentemente, como já citei, o repúdio nos prende com mais força ao que recusamos ou àqueles que recusamos.

Para o bem ou para o mal, não governamos os afetos com nossa mera vontade; a linguagem do coração se escreve em outro ritmo, sutil, decisivo e apaixonado, dificilmente quadriculado. 

Desse modo, muitos que não aceitam suas moedas e permanecem na queixa ou no ressentimento se comportam, quando mais velhos, como seus pais ou reproduzem comportamentos daninhos iguais aos recebidos.

O que de fato ajuda é realizar o processo de aceitar também o que foi difícil, e com isso talvez nos tornarmos mais fortes ou mais sábios. 

Ou seja, também o que parece negativo está a serviço da vida, e podemos aproveitá-lo a nosso favor. 

O sofrimento também é capaz de nos fazer mais plenamente humanos. 

Algumas pessoas que sofreram graves perdas ou traumas com seus pais, por exemplo, se superam e constroem uma vida com alegria e muito sentido. 

Em contrapartida, há pessoas que, amparando-se em pequenas frustrações com seus pais, se acham no direito de ter uma vida escassa ou penitencial e culpam os pais para justificar seus erros ou fracassos.

Devemos saber que nada nos impede de nos desenvolvermos bem, e que do passado conservamos apenas as cinzas em forma de imagens guardadas na mente. 

Que podemos transformá-las e ficar em paz com o que passou, ao menos com o que recordamos dele. 

E assim nos abrirmos ao presente, o lugar e o tempo do verdadeiro fogo do viver.

Em geral, as pessoas que realizam o processo interior de aceitar suas moedas e ficar em paz com seus pais e com sua história se sentem melhor consigo mesmas, estabelecem relações adultas e espontâneas mais facilmente e retribuem à vida com o que possuem.

(Texto de Joan Garriga)


quarta-feira, 3 de abril de 2019

BUSCAR NOS OUTROS PARA COBRIR NOSSAS CARÊNCIAS


Por que não é adequado buscar nos outros aquilo que não obtivemos no seio familiar, ou seja, cobrir com outros nossas carências afetivas?

Porque seria como tentar abrir uma porta com um martelo no lugar da chave.

Com o martelo, possivelmente conseguiremos abri-la, mas a quebraremos, e ela não mais voltará a servir como porta.

E também por uma outra razão, que aprendi por meio dos muitos casos que vi como terapeuta: porque esses afetos, ainda sendo muito sentidos, nunca podem substituir realmente outros afetos.

Um afeto não substitui outro, como uma pessoa não pode substituir outra em nosso coração.

Por exemplo, uma versão clássica e comum do encantamento consiste em esperar que o outro tenha e nos ofereça aquilo que não aceitamos de nossos pais.

Quando aquilo que esperamos é pouco, talvez possa funcionar.

Entretanto, quando é muita coisa, resulta demasiado e impossível.

Reconheço que é formidável quando alguém recupera a esperança de em algum lugar poder alcançar as tão apreciadas moedas, mas trata-se de uma esperança vã.

Porque, de fato, o outro só pode dar aquilo que possui e lhe corresponde por sua posição, mesmo querendo dar tudo e amando plenamente.

Um casal é um casal, ou, como dito no conto, "uma relação entre adultos, fundamentada na igualdade de classe, na troca equilibrada e na sexualidade".

Trata-se de uma relação contratual, e não incondicional.

Faz com que as pessoas se despeçam da infância.

Joan Garriga