quinta-feira, 11 de abril de 2019

COMO AS VIVÊNCIAS DA INFÃNCIA INFLUENCIAM SUA VIDA ADULTA

(Texto de Joan Garriga)





Entre as vivências que temos com nossos pais se encontram as doces, que nos fazem sorrir e nos sentir bem, e as amargas que nos doem e nos contraem. 

As primeiras parecem nos impulsionar para a vida, e as outras parecem nos entorpecer. 

A tentação para muitos consiste em querer aceitar apenas o positivo e expulsar o negativo, e isso tem uma lógica esmagadora: queremos nos afastar daquilo que nos causou, ou ainda causa, dor. 

Assim, alguns recusam os pais e o que vêm deles.

No entanto, temos de compreender que a lógica emocional dos afetos funciona de maneira precisamente pouco lógica. 

E mais paradoxal e independente de nossa vontade, motivo pelo qual frequentemente, como já citei, o repúdio nos prende com mais força ao que recusamos ou àqueles que recusamos.

Para o bem ou para o mal, não governamos os afetos com nossa mera vontade; a linguagem do coração se escreve em outro ritmo, sutil, decisivo e apaixonado, dificilmente quadriculado. 

Desse modo, muitos que não aceitam suas moedas e permanecem na queixa ou no ressentimento se comportam, quando mais velhos, como seus pais ou reproduzem comportamentos daninhos iguais aos recebidos.

O que de fato ajuda é realizar o processo de aceitar também o que foi difícil, e com isso talvez nos tornarmos mais fortes ou mais sábios. 

Ou seja, também o que parece negativo está a serviço da vida, e podemos aproveitá-lo a nosso favor. 

O sofrimento também é capaz de nos fazer mais plenamente humanos. 

Algumas pessoas que sofreram graves perdas ou traumas com seus pais, por exemplo, se superam e constroem uma vida com alegria e muito sentido. 

Em contrapartida, há pessoas que, amparando-se em pequenas frustrações com seus pais, se acham no direito de ter uma vida escassa ou penitencial e culpam os pais para justificar seus erros ou fracassos.

Devemos saber que nada nos impede de nos desenvolvermos bem, e que do passado conservamos apenas as cinzas em forma de imagens guardadas na mente. 

Que podemos transformá-las e ficar em paz com o que passou, ao menos com o que recordamos dele. 

E assim nos abrirmos ao presente, o lugar e o tempo do verdadeiro fogo do viver.

Em geral, as pessoas que realizam o processo interior de aceitar suas moedas e ficar em paz com seus pais e com sua história se sentem melhor consigo mesmas, estabelecem relações adultas e espontâneas mais facilmente e retribuem à vida com o que possuem.

(Texto de Joan Garriga)


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