quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O AMOR POR MONJA COEN



 Pense em alguém que você goste muito.

Do passado, do presente ou do futuro.

Pode ser um bichinho, um brinquedo, uma pessoa, uma criança, uma situação agradável.

Pense e sinta.

Sinta esse amor, agora, aqui, em você.

Conecte-se com o amor que habita você.

Comece a incluir nessa amorosidade todas as pessoas que estão próximas a você.

Vá expandindo sua capacidade de amar.

Inclua todas as pessoas que você conhece.

Agora inclua as que você não conhece.

Inclua próximas e distantes.

Inclua pessoas que você jamais viu.

Os povos africanos, asiáticos, australianos.

Os povos e tribos de toda a Terra.

Inclua em seu amor todo o planeta, com árvores e insetos. Flores e pássaros. Mares, rios, oceanos.

Inclua a vegetação da Amazônia e da Patagônia.

Inclua o Mar Morto e o Deserto do Saara.

Não deixe o Pequeno Príncipe de fora.

Inclua os Lusíadas, a Odisséia, Kojiki,

Inclua toda a literatura mundial, um pouco de Machado de Assis, Eça de Queiroz, Shakespeare, um tanto de Saragosa, uma gota de Jorge Amado, banhado por Herman Hesse e Amon Oz.

Inclua todas as religiões.

Como se não houvesse dentro nem fora.

Imagine, como John Lennon, que o mundo é um só.

O mundo é uno. O mundo, o universo, o pluri-verso é um só.

Nós somos unas e unos com o uno.

Perceba.

Isto que digo é a verdade.

E só há esse caminho.

Inúmeras analogias, linguagens étnicas, expressões regionais e temporais para tentar atingir o atemporal, o fluir incessante, incandescente, brilhante, da vida em movimento transformador.

Somos a vida da Terra.

Somos a vida do Universo.

Somos a vida do Multiverso.

E quando nossos pequeninos corações humanos se tornam capazes a ir além deste saquinho de pele que chamamos o eu, nos contatamos com a essência da vida. Que é a a nossa própria essência e de tudo que é, assim como é.

Algum nome? Nenhum nome?

Caminhemos.Tornamo-nos o caminho a cada passo.

Que cada passo seja um passo de paz.

Que o novo ano se abra com a abertura dos corações-mentes de todos nós seres humanos.

Abertura para o infinito.

Abertura para a imensidão.

Abertura para a ternura.

Abertura para a sabedoria.

Abertura para a compaixão.

Que todos os seres em todas as esferas e todos os tempos se beneficiem com esse amor imenso que aqui e agora juntas, juntos, nos tornamos. E ao nos tornarmos o amor tudo se torna vida e vida em abundância. Ame e manifeste esse amor

Monja Coen

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

RESQUÍCIOS NOS PARTICIPANTES DA CONSTELAÇÃO



O campo morfogenético produz um ambiente energizado nos trabalhos de constelação. Ele é conhecido como campo do conhecimento e possibilita que os representantes se conectem ao conhecimento útil para trabalhar o tema específico do cliente.

Esse fenômeno energético ocorre de forma natural. No entanto, há participante que reage mais intensamente (até mesmo com desconforto) pelo fato do emergente do campo morfogenético ser ressonante com o participante: existe una conexão entre o sistema do participante e o tema do cliente que está sendo trabalhado.

Nas constelações, isso ocorre com frequência porque existe o fenômeno sincronístico: as pessoas presentes naquele dia, naquele trabalho, não compareceram por mera coincidência. Pelo contrário, na realidade, elas estão ali por existir uma convergência entre as suas vidas, os seus sistemas e os temas trabalhados. Quando alguém é escolhido para representar um papel, o papel tem a ver com ele e o sistema dele. O mesmo raciocínio se aplica ao participante: quem assiste, precisa enxergar algo e trabalhar aquilo em si e no seu sistema.

Uma vez que trabalhei um tema de dependência química, tinha uma moça que, de tão perturbada que ficou com o ambiente, parecia que iria sair correndo. Mantinha o frágil equilíbrio com uma postura cética e prepotente.  Era uma reação psicológica de refuta a um trabalho de reversão de causas sistêmicas da dependência química do cliente e algo que lhe dizia respeito, por ela mesmo fazer uso de drogas também. O cosmo lhe dizia: olhe para isso, reconheça isso, organize isso... Ela poderia ter tido as seguintes reações: a) ter saído correndo dali com alguma desculpa (não fez isso); b) ter permanecido e passado mal (foi o que aconteceu) e c) ter ficado, passado mal e marcado uma constelação para si para trabalhar aquele problema (infelizmente, isso não ocorreu).

Tem gente que cai dormindo. Participei de uma em que era trabalhada a classe política de uma cidade e caíram 19 pessoas dormindo.

Tem gente que tem náuseas ou diarreia. Quantas vezes o representante ou o participante sai correndo para ir ao banheiro.

Tem gente que chora compulsivamente e a gente passa o rolo de papel higiênico porque só o lenço não dá conta; termina a constelação a pessoa, sorrindo fala que está bem e que não sabe o que aconteceu. 

Tem vezes que o grupo todo fica gelado. Lembro de uma vez que eram tantos mortos que estavam sendo trabalhado, que foram distribuídos cobertas e blusas (era verão).

Uma vez, todos ficaram com sede e calor mas não sabiam que estava sendo trabalhado o sistema de uma pessoa que mora no deserto do Oriente Médio (e era inverno!).

Outro dia alguém disse que eram reações psicológicas. Sou psicólogo, doutor, mestre, especialista em vários campos do conhecimento psicológico, pesquisador, professor, psicanalista, psicoterapeuta e posso responder: Claro que são! Porque a gente ainda não tem a opção de arrancar a psique para realizar uma experiência!!  Em realidade, são choques no corpo e na psique, decorrentes de uma alteração energética de campo. Simplesmente dizer que são reações corporais não explica nada de novo.

O fechamento de uma constelação embasada ética e tecnicamente, inclui uma breve rodada que serve para saber como as pessoas estão se sentindo. Jamais faço essa rodada para abrir precedente para achismos do grupo sobre a vida do cliente ou para as pessoas externarem as impressões pessoais sobre o trabalho que acabou de ser feito. Aliás, corto isso com muito jeito ou, quando insistem, com pouco jeito mesmo. Constelação não é psicoterapia de grupo voltada para insight e baseada em identificações cruzadas. Pelo contrário, a rodada é para os participantes enfocarem a si próprios, muito brevemente, para informarem se ficaram com algum resquício energético do trabalho, algo do tipo "estou bem" ou "não estou bem ainda". Caso a pessoa continue a não se sentir bem energeticamente, emprego alguns procedimentos simples de liberação que faz a energia estranha "descolar" dela. Cumpre ressaltar que a energia "estranha, na realidade, não é tão estranha assim porque ela é ressonante com a pessoa ou com o sistema dela. 

Tem casos de participante que tem uma ligação amorosa com o sofrimento por ser uma marca de um sistema que cultiva o sofrimento e se relaciona com o mundo por meio dele. Esse participante vai grudar em tudo que é negativo do cliente porque tem uma atração atávica ao sofrimento. Geralmente, aponto isso e estimulo a soltar o que não lhe serve ou não lhe pertence, para andar pra frente com força e esperança.

A energia do campo morfogenético não é brincadeira, tanto que fecho acesso para grávidas e crianças. O feto e a criança não conseguem modular a força energética impelidora do campo, tendo uma influência perturbadora e prejudicial para as entradas energéticas corporais naturais ainda imaturas.

Contudo, o campo não deve ser temido porque aprendemos muito dentro dele, nos conectamos com as próprias forças e desenvolvemos capacidades naturais que, em outro contexto, passariam desapercebidas.

Uma dica é fazer a experiência de vir participar de uma constelação respeitando a regra de ouro da natureza: dois ouvidos e uma boca, isto é, exercitar mais o ouvir mais do que o falar.

A constelação é um trabalho do sentir e se conectar com o campo. Geralmente as grandes sacadas são os maiores tiros-n’água quando se trata de constelação. Melhor seria então deixar os julgamentos, as opiniões, as crenças religiosas, etc. em casa para aprender o modo fenomenológico de olhar para a vida.

Existe uma complexidade na simplicidade das constelações mas isso é assunto para outro dia. Se tem uma coisa que as constelações nos ensinam, é a simplicidade das coisas muito complexas.

[Autor: Miguel Mello. . Autor do livro Constelações Familiares]

terça-feira, 28 de novembro de 2017

A ALMA E O SISTEMA DE RELAÇÕES





Nos grupos a que pertencemos estamos interligados na alma, de uma forma que ultrapassa a transmissão consciente de informações, a comunicação, o comportamento e os sentimentos individuais. Na alma participamos de algo que confere individualidade a cada grupo particular, a cada família, a cada empresa, a cada círculo de amigos. Nas constelações familiares podemos perceber e “ver” a alma, essa força que une. Muitos se surpreendem muito ao sentirem, durante uma constelação, esse vínculo ao contexto profundo da família. 


A ideia de que, numa família, acontecimentos e destinos se comunicam através de gerações, mesmo quando nada disso nos foi contado, causa inicialmente estranheza nesta época da informação, que se julga esclarecida. O fato de continuarmos vinculados à nossa família e aos nossos relacionamentos, mesmo que tenhamos interrompido os contatos, não nos importemos mais com a grande família e mudemos constantemente as nossas relações é algo que contradiz nossa concepção de individualidade e de autonomia. Muitos, porém, percebem, como por instinto, que seus relacionamentos continuam a atuar, mesmo depois de terminados, e que eles próprios permanecem vinculados a acontecimentos importantes em sua família, embora tenham acontecido num passado remoto. As constelações familiares permitem que voltemos a sentir-nos como seres relacionais. Elas fazem valer a dimensão sistêmica e histórica de nossa existência, de uma forma que às vezes parece arcaica ou mesmo mágica.

                                                                    O destino
Chamamos de “destino” as forças que, a partir do passado, vinculam-nos necessariamente aos efeitos, bons ou maus, de acontecimentos. Esses efeitos nos são “destinados”, independentemente de nossa vontade. Por outro lado estamos sujeitos a uma “sorte”, isto é, a acontecimentos que nos atingem casualmente, sem que possamos escapar. Não temos nenhuma possibilidade de interferir retroativamente naquilo que nos atinge por acaso ou como efeito necessário de um passado. Apenas no que toca ao futuro dispomos de uma certa liberdade de ação, na medida em que lidamos com o destino e podemos abrir-nos a mudanças.

As forças do destino, tais como as encontramos nas notícias dos jornais, na literatura, nos filmes e na televisão nos aparecem nas constelações como uma história pessoal. Vivenciamos dolorosamente quão pouco livres nós somos e percebemos que, sem o nosso conhecimento ou vontade, revivemos, numa espécie de repetição compulsiva, destinos passados, ocorrências funestas e problemas existenciais não resolvidos. As constelações mostram-se particularmente eficazes quando sentimos estar revivendo, sem necessidade própria, necessidades passadas e não pacificadas de outras pessoas, como se através dessa repetição algo pudesse ser reparado e ficar em paz.

A constelação familiar voltou a abrir, no contexto da psicoterapia, um espaço maior à dimensão do destino. As grandes forças da alma, que vão muito além de nossa vontade e de nossas opiniões e que interferem em nossa vida, emergem de uma espécie de inconsciente coletivo e podem ser encaradas 
honradas e acessadas num processo de abertura para algo novo.

A avó que morreu no parto; a filha cuja verdadeira origem a mãe ocultou do marido; o primeiro marido da mãe, morto na guerra; o desertor fuzilado pelo pai; a avó, com seus numerosos abortos; o médico, com seus erros profissionais; a emigração do primeiro marido da avó; a própria vida numa cultura estrangeira... - tudo isso são ocorrências ligadas ao destino que afetam, em muito, as gerações subsequentes. Em face de grandes embates políticos, sociais e militares, sentimos instintivamente o mesmo que disse o jornalista belga sobre a guerra colonial no Congo: “Quantas gerações isso vai durar, até que se cure?”

“Emaranhamento” é uma das palavras mágicas que acompanham as constelações familiares. Constitui a matéria das tragédias e também das comédias. Às vezes, as constelações atuam como uma peça de teatro. De forma comprimida, dramas humanos são “encenados", sempre como histórias especiais, referindo-se a determinados destinos familiares. Na antiga Grécia as peças teatrais eram dedicadas a Asclépio, o deus da cura. Quem presenciou Bert Hellinger abordando, diante de grandes públicos, temas relevantes como os destinos dos judeus e dos nazistas, os destinos das guerras europeias ou as situações de guerra civil na América do Sul pode perceber algo da dimensão coletiva da alma e do lado coletivo da cura.

                                                                       A ordem
Em sua acepção original, o termo grego therapeuein significava “servir aos deuses”, “inserir-se na ordem dos deuses”. Ainda hoje, embora encaremos a terapia num sentido profano e não mais religioso, algo nos resta desse sentido primitivo. Buscamos conselho ou ajuda terapêutica, para que em nossa alma ou em nossas relações fiquemos novamente “em ordem”.

Também as relações humanas se configuram segundo determinadas condições, ordens ou regras, quenão podemos alterar ao bel-prazer sem sofrer danos. Nas constelações familiares, as “ordens do amor” desempenham um papel importante. Para muitas pessoas isso soa como uma provocação pois quem pode saber ou, mais ainda, determinar o que está em ordem e o que não está? Entretanto, partimos do pressuposto de que precisamos de certas ordens anímicas para crescer, assim como nosso corpo pre-cisa de determinadas condições para crescer e sobreviver. Nas constelações familiares é possível perceber o influxo dessas ordens. Elas nos permitem orientar-nos no meio da complexidade de nossa vida relacionais.

Para o bom êxito das relações temos múltiplas possibilidades de ação, se bem que não arbitrárias. Quando se desenvolve, a partir de uma constelação, um processo capaz de reparar relacionamentos ou quando o terapeuta, em razão de sua experiência, aponta para ordens que trazem solução, é possível comprovar isso por seus efeitos. As constelações permitem o que a sabedoria proporciona, a saber, associar situações, que sempre são individuais e únicas, a “regras” gerais da alma. Dessa maneira, o particular e o geral podem colaborar no cliente e em seu sistema de relações, no sentido de um processo esclarecedor e ordenador. Então vivenciamos a ordem, embora ela exija algo de nós, como algo liberador e criativo, que pode tirar nossa vida do círculo vicioso de esforços inúteis e mal sucedidos.
                                                              
                                                                  A reconciliação

Conflitos surgem na alma quando forças contrárias nos dividem internamente e em nossas relações, obrigando-nos a lutar ou a reprimir. Então sentimo-nos divididos, dilacerados, indecisos, intranquilos, estressados ou à beira da loucura. A psicoterapia e o aconselhamento, quando buscados como ajuda, operam um trabalho de reconciliação. A principal eficácia e atratividade das constelações familiares reside justamente em sua força de ligação e de reconciliação. Elas recuperam os excluídos para as famílias. Ajudam a reconhecer, em pé de igualdade, todos os que pertencem a um determinado sistema de relações, estejam vivos ou mortos e seja qual for o destino a que estejam sujeitos. As constelações ajudam a reconciliar vítimas e perpetradores, bem como seus familiares, principalmente em casos mais graves, como abuso sexual, estupro, assassinato ou injustiça política.

É motivo de constante surpresa vivenciar com que receptividade é acolhido em todo o mundo um método e um trabalho de alma criado por um alemão, que leva em conta igualmente vítimas e perpetradores, com vistas à sua reconciliação. Quando se trata de amor, justiça, vida e morte, os processos anímicos e os sentimentos profundos são os mesmos em todos os países. Não existe quase nenhum país que não tenha sido assolado por guerras ou onde não existem graves culpas, decorrentes de extermínios, guerras civis ou conflitos sociais. Por toda parte há choques de culturas diferentes, no contexto de migrações, deportações e grandes movimentos de povos. Por toda parte percebe-se um profundo desejo de reconciliação, tranquilidade e paz entre os vivos e com os mortos. Nesse particular, as constelações familiares têm tocado em corações receptivos.

Ao mesmo tempo, o trabalho de reconciliação nas constelações permanece ligado aos destinos individuais. Não se proclama a ideia de um mundo pacífico. Permanecemos limitados e vinculados a grupos. Oposições, conflitos, interesses e partidos, luta e guerra fazem parte da realidade. Nas constelações cuida-se principalmente de lidar com conflitos com um coração pacífico. Na culpa ou na inocência, o fato de confiar-nos e confiar outras pessoas, vivas ou mortas, a uma força maior, quer a chamemos de morte, grande alma, evolução, Deus ou por qualquer outro nome, pode levar- nos nas constelações além dos processos terapêuticos e tocar-nos num nível amplo anímico, mental ou espiritual.
                                                                 A AJUDA
 
As constelações familiares, embora sejam eventualmente oferecidas no contexto de uma psicoterapia, não constituem uma psicoterapia no sentido usual. A psicoterapia objetiva curar. Ela busca a dissolução de distúrbios da personalidade e de doenças anímicas, psicossomáticas, traumáticas e psiquiátricas, definidas segundo determinados critérios. Ela acompanha o cliente ou paciente pelo tempo necessário até que o sintoma desapareça e que advenham melhoras, a cura ou até que o cliente não possa mais ser ajudado por vias psicoterapêuticas. Tudo isso pode acontecer nas constelações familiares, como um efeito colateral, de acordo com a formação anterior e a habilitação legal do terapeuta. Nada disso, porém, é o seu objetivo imediato.

As constelações familiares podem ser quase comparadas a uma “profecia” ou a um “oráculo”. Elas simplesmente trazem à luz a conexão entre um destino e seus efeitos. Elas ajudam a “ver” a realidade de uma vida e, se possível, a preenchê-la com amor, sem influenciar o cliente quanto à forma de aplicar isso em sua vida. Os consteladores não fazem acompanhamento ou o fazem apenas em escala reduzida. Não propõem nem verificam tarefas (embora muitos terapeutas que trabalham com constelações o façam). As constelações proporcionam um insight liberador sobre os efeitos do destino, colocam em ordem relações, de uma forma saudável e que estimula o crescimento e proporcionam força, como um efeito indireto, na medida em que as pessoas aprendem a receber sua vida de seus pais e dos seus antepassados. As constelações confiam na capacidade do cliente, em sua responsabilidade e competência para lidar bem com aquilo que vivenciou.

Essa forma de encarar a ajuda difere da que prevalece em muitas formas da psicoterapia tradicional. Embora se trate frequentemente de destinos difíceis, essa maneira reservada de ajudar atua com mais leveza. Ela não tem um “cheiro” de psicoterapia. As pessoas se sentem acolhidas tais como são, com suas famílias e suas vidas. Sentem que o amor é uma base de sustentação e não precisam mudar para conseguir mudanças em suas vidas. A responsabilidade individual é respeitada e ninguém precisa justificar-se. As pessoas não entram numa relação terapêutica e nas formalidades de uma psicoterapia convencional. Isso faz bem a muitas pessoas em necessidade, e elas apreciam isso.

Para o profissional da ajuda, essa outra maneira de considerá-la significa que só pode ajudar quem assumiu, ele próprio, os seus pais e a sua vida. Só pode ajudar quem renuncia a dar, a quem busca ajuda, mais do que essa pessoa precisa e pode aceitar. Toda ajuda precisa adaptar-se às circunstâncias da vida do ajudado, ao seu destino, à sua determinação pessoal, à sua capacidade e às suas decisões e só pode interferir como apoio, onde e como a dignidade dele o permitir.

Quem ajuda precisa naturalmente de capacidade para estar à altura da necessidade em questão. Necessidades pessoais não resolvidas de quem ajuda o seduzem a buscar, na simpatia por fracos e vítimas, a força de que precisa para a sua própria vida. O hábito de ser o “grande” e o “salvador” em sua própria família leva-o à ilusão de que precisa estar à altura dos destinos dos clientes e ser melhor para eles do que os seus pais. Porém a ajuda precisa ser cuidadosamente separada da própria pessoa do terapeuta. A ajuda é totalmente sustentada pelas forças e pelo saber da alma da família do cliente e,para além dela, pela atuação de forças superiores que temos dificuldade em nomear. Dessa forma, a constelação familiar também faz bem a quem ajuda. 

Jacob Robert Schneider - Constelações Familiares

domingo, 26 de novembro de 2017

A ILUSÃO CENTRAL - A PERDA DO AGORA





Mesmo que eu aceite que o tempo é uma ilusão, que diferença isso fará na minha vida? Tenho que continuar a viver em um mundo absolutamente dominado pelo tempo.
 

O entendimento intelectual é apenas mais uma crença e não vai fazer muita diferença para a nossa vida. Para perceber essa verdade temos que vivenciá-la. Quando cada célula do nosso corpo está tão presente que vibra com a vida e, quando conseguimos sentir essa vida a cada momento como a alegria do Ser, podemos dizer que estamos livres do tempo.

Mas ainda tenho de pagar as contas e sei que vou envelhecer e morrer, exatamente como todas as pessoas. Como posso dizer que estou livre do tempo?
 

As contas de amanhã não são um problema. A degeneração do corpo não é um problema. 

A perda do Agora é o problema, ou melhor, a ilusão central que transforma uma situação simples, um acontecimento ou uma emoção, em um problema pessoal e em sofrimento.

Perder o Agora é perder o Ser. 

Livrar-se do tempo é livrar-se da necessidade psicológica tanto do passado quanto do futuro. Isso representa a mais profunda transformação de consciência que você possa imaginar. 

Em casos muito raros, essa mudança na consciência acontece de forma drástica e radical, de uma vez por todas. Quando isso acontece, normalmente é através de uma completa rendição, em meio a um sofrimento intenso. Muitas pessoas, entretanto, têm de trabalhar para obtê-la. 

Depois dos primeiros vislumbres do estado atemporal de consciência, passamos a viver em um vaivém entre a dimensão do tempo e a presença. 

Primeiro, você começa a perceber que a sua atenção raramente está no Agora. Entretanto, saber que você não está presente já é um grande sucesso. 

O simples saber já é presença – mesmo que, no início, dure só alguns segundos no tempo do relógio antes de desaparecer outra vez. 

Depois, com uma frequência cada vez maior, você escolhe dirigir o foco da consciência para o momento presente. Você se torna capaz de ficar presente por períodos mais longos.

Portanto, antes que sejamos capazes de nos estabelecer com firmeza no estado de presença, oscilamos, periodicamente, de um lado para o outro, entre a consciência e a inconsciência, entre o estado de presença e o estado de identificação com a mente. 

Perdemos o Agora várias vezes, mas retornamos a ele. Por fim, a presença se torna o estado predominante. 

A maioria das pessoas nunca vivencia a presença. Ela acontece apenas de modo breve e acidental, em raras ocasiões, sem ser reconhecida pelo que é. Muitos seres humanos não se alternam entre a consciência e a inconsciência, mas somente entre diferentes níveis de inconsciência. 


A INCONSCIÊNCIA COMUM E A INCONSCIÊNCIA PROFUNDA

O que você quer dizer com diferentes níveis de inconsciência?
 

Como você provavelmente sabe, o ser humano se desloca constantemente entre fases do sono em que sonha e que não sonha. Da mesma forma, a maioria das pessoas, quando acordada, se alterna entre a inconsciência comum e a inconsciência profunda. 

Chamo de inconsciência comum essa identificação com os nossos processos de pensamentos e emoções, nossas reações, desejos e aversões. É o estado normal da maioria das pessoas. Nesse estado, somos governados pela mente e não temos consciência do Ser. 

Não se trata de um estado de sofrimento agudo ou de infelicidade, mas de um nível baixo e contínuo de desconforto, descontentamento, enfado ou nervosismo, como uma espécie de estática ao fundo. 

Talvez você não perceba muito bem essa situação porque ela já faz parte da nossa vida “normal”, da mesma forma que você não percebe um barulho contínuo ao fundo, como o zumbido do ar condicionado, até ele parar. Quando isso acontece de repente, ocorre uma sensação de alívio. 

Muitas pessoas usam a bebida, as drogas, o sexo, a comida, o trabalho, a televisão, ou até mesmo o ato de fazer compras como anestésicos, em uma tentativa inconsciente para acabar com esse desconforto básico. 

Quando isso acontece, uma atividade que poderia ser muito agradável, se feita com moderação, passa a ter um componente de compulsão ou dependência e tudo o que se obtém sob essa influência traz uma sensação de alívio por um período extremamente curto.

A sensação de desconforto da inconsciência comum se transforma no sofrimento da inconsciência profunda, ou seja, um estado de sofrimento ou infelicidade mais agudo e mais perceptível quando as coisas “vão mal”, quando o ego é ameaçado ou quando existe um desafio maior, tal como uma perda real ou imaginária em nossa situação de vida, ou um conflito numa relação. 

A inconsciência profunda é uma versão ampliada da inconsciência comum, da qual difere na intensidade, mas não na espécie. 

Na inconsciência comum, uma resistência habitual, ou uma negação daquilo que é, cria um desconforto que a maioria das pessoas aceita como algo normal. Quando essa resistência se intensifica através de algum desafio ou ameaça ao ego, faz aflorar uma negatividade intensa que se manifesta sob a forma de raiva, medo profundo, agressão, depressão, etc.

A inconsciência profunda significa, com frequência, que o sofrimento começou e que você passou a se identificar com ele. 

A violência física não aconteceria sem o estado de inconsciência profunda. Ela pode explodir com facilidade quando as pessoas geram um campo coletivo de energia negativa.

O melhor indicador do nível de consciência é a maneira como você lida com os desafios da vida. É através desses desafios que uma pessoa já inconsciente tende a se tornar mais profundamente inconsciente, e uma pessoa consciente a se tornar mais intensamente consciente. 

Podemos nos valer de um desafio para nos acordar ou para permitir que ele nos empurre para um sono ainda mais profundo. O sonho no nível da inconsciência comum se transforma, então, em pesadelo. 

Se você não consegue estar presente mesmo em situações normais, como, por exemplo, quando está sozinho em uma sala, caminhando no campo ou ouvindo alguém, certamente não será capaz de permanecer consciente quando alguma coisa “vai mal”. Será dominado por uma reação, que é sempre, em última análise, alguma forma de medo, e empurrado para uma inconsciência profunda. 

Esses desafios são os seus testes. Só o modo como você lida com eles lhe mostrará onde você está no que se refere ao seu estado de consciência - e não a quantidade de horas que você consegue ficar sentado com os olhos fechados. 

Portanto, é fundamental colocar mais consciência em sua vida durante as situações comuns, quando tudo está correndo de modo relativamente tranquilo. É assim que se aumenta o poder de presença. Ele gera um campo energético de alta frequência vibracional em você e ao seu redor. 

Nenhuma inconsciência, nenhuma negatividade, nenhuma discórdia ou violência pode penetrar nesse campo e sobreviver, do mesmo modo que a escuridão não consegue sobreviver na presença da luz. 

Por favor, respeite todos os créditos ao compartilhar. http://stelalecocq.blogspot.com/2014/09/eckhart-tolle-estrategias-da-mente-para.html Trechos do livro "O Poder do Agora" de Eckhart Tolle


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

ESSÊNCIA IPÊ ROXO - TABEBUIA IMPETIGINOSA



IPE ROXO Para os que não vêem saída nas situações de grandes traumas e estresse. Alinha e repõe nossas energias após situações de grande desgaste físico, mental e emocional. Afasta hóspedes indesejáveis.
 Traz elevação, poder e visão. Ver além do que é. Traz a esperança dos sonhos realizados. O floral Ipê Roxo trabalha o Eu, o fortalecimento do Eu. 

Na farmacopéia popular é utilizado como um eficiente depurativo do sangue. Em pesquisas feitas descobriu-se que esta planta contém poder antimicrobiano, antiinflamatorio, analgésico e anti-neoplásico (combate tumores malignos e benignos). 

Atua contra as impingens, as coceiras, a sarna, a diabetes, úlcera gástrica, úlcera duodenal, arteriosclerose, gastrite, eczema, estomatite, sífilis, leucorréia, nevralgia, bronquite, combate infecção. Combate o câncer, a asma, as doenças do útero e do ovário. Esta essência floral Ipê Roxo + Aloe traz muita paz, conforto e esperança aos que têm câncer, e também às pessoas com neoplasias submetidos a radioterapia.
 

É tônico floral, promove o renascimento da esperança,indicada para pessoas perdidas e que se entregam ao sofrimento.

A energia do floral fortalece e reconecta a pessoa ao seu eu maior, que volta a iluminar o seu caminho, impulsionando-a novamente a seguir em frente. É o renascimento da poderosa energia-força do sentimento de esperança.
Alinha e refaz as energias após situações de grande desgaste físico, mental e emocional.

 

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

INTELIGENCIA ESPIRITUAL

SQ = Spiritual QuotientResultado de imagem para INTELIGENCIA ESPIRITUAL IMAGEM
No início do século 20, o QI era a medida definitiva da inteligência humana. Só em meados da década de 90, a "descoberta da Inteligência Emocional mostrou que não bastava o sujeito ser um gênio se não soubesse lidar com as emoções."
A ciência começa o novo milênio com descobertas que apontam para um terceiro quociente, o da Inteligência Espiritual. Ela nos ajudaria a lidar com questões essenciais e pode ser a chave para uma nova era no mundo dos negócios.
Drª Dana Zohar, da Universidade de de Oxford, no seu livro SQ - Spiritual Quotient - Inteligência Espiritual, lançado no ano passado, a física e filósofa americana aborda um tema tão novo quanto polêmico: a existência de um terceiro tipo de inteligência que aumenta os horizontes das pessoas, torna-as mais criativas e se manifesta em sua necessidade de encontrar um significado para a vida.
Ela baseia seu trabalho sobre Quociente de Espiritual (SQ), em pesquisas só há pouco divulgadas de cientistas de várias partes do mundo que descobriram o que está sendo chamado "Ponto de Deus" no cérebro, uma área que seria responsável pelas experiências
espirituais das pessoas.
O assunto é tão atual que foi abordado em recentes reportagens de capa pelas revistas americanas Neewsweek e Fortune.
Afirma Dana:
"A Inteligência Espiritual coletiva é baixa na sociedade moderna. Vivemos numa cultura espiritualmente estúpida, mas podemos agir para elevar nosso quociente espiritual".
Aos 57 anos, Dana vive em Inglaterra com o marido, o psiquiatra Ian Marshall, coautor do livro, e com dois filhos adolescentes. Formada em Física, pela Universidade de Harvard, com pós graduação no Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), ela atualmente leciona na universidade inglesa de Oxford. É autora de outros oito livros, entre eles: "O Ser Quântico" e "A Sociedade Quântica", já traduzidos para português.
O que é Inteligência Espiritual?
É uma terceira inteligência, que coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos.
Ter alto quociente espiritual (SQ) implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direção pessoal.
O SQ aumenta nossos horizontes e nos torna mais criativos.
É uma inteligência que nos impulsiona.
É com ela que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor.
O SQ está ligado à necessidade humana de ter propósito na vida.
É ele que usamos para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações.
De que modo essas pesquisas confirmam suas ideias sobre a terceira
inteligência?
Os cientistas descobriram que temos um "Ponto de Deus" no cérebro, uma área nos lobos temporais que nos faz buscar um significado e valores para nossas vidas. É uma área ligada à experência espiritual. Tudo que influencia a inteligência passa pelo cérebro e seus prolongamentos neurais. Um tipo de organização neural permite ao homem realizar um pensamento racional, lógico. Dá a ele seu QI, ou Inteligência Intelectual. Outro tipo permite realizar o pensamento associativo, afectado por hábitos, reconhecedor de padrões, emotivo. É o responsável pelo QE, ou Inteligência Emocional. Um terceiro tipo permite o pensamento criativo, capaz de insights, formulador e revogador de regras. É o pensamento com que se formulam e se transformam os tipos anteriores de pensamento. Esse tipo lhe dá o SQ, ou Inteligência Espiritual.
Qual a diferença entre QE e SQ?
É o poder transformador.
A Inteligência Emocional me permite julgar em que situação eu me encontro, e me comportar apropriadamente dentro dos limites da situação.
A Inteligência Espiritual me permite perguntar se quero estar nessa situação particular.
Implica trabalhar com os limites da situação.
Daniel Goleman, o teórico do Quociente Emocional, fala das emoções.
Inteligência Espiritual fala da Alma.
O Quociente Espiritual tem a ver com o que algo significa para mim, e não apenas como as coisas afectam minha emoção e como eu reajo a isso.
A espiritualidade sempre esteve presente na história da humanidade.
Dana Zohar identificou dez qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes. Segundo ela, essas pessoas:
1. Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo
2. São levadas por valores. São idealistas
3. Têm capacidade de encarar e utilizar a adversidade
4. São holísticas
5. Celebram a diversidade
6. Têm independência
7. Perguntam sempre "por quê?"
8. Têm capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo
9. Têm espontaneidade
10.Têm compaixão.
*"Uma vela não perde a sua chama acendendo outra."*_

terça-feira, 21 de novembro de 2017

O QUE VOCÊ SABE SOBRE SUA AVÓ MATERNA?







Esta senhora é muito importante para você.
Por quê?
Uma vez que é essencial na transferência de informação e programas de genética. Acontece que, quando ela estava grávida de sua mãe, o feto já tem os ovócitos formados.
E esses ovócitos, eles vão deixar os 400 óvulos que terão sua mãe durante sua vida reprodutiva. Um desses óvulos, tomará o seu nome.
Portanto, este óvulo carrega informação da avó.
Quais as informações que você quer dizer?
Por tudo o que a avó viveu, sentiu e como ela viveu. Se fosse o momento adequado para ter filhos, se desejasse a gravidez, se ela estava protegida por seu marido, quais foram seus amores, conflitos de identidade, etc.
Quais as necessidades biológicas não tinha coberta tua avó durante a gravidez de tua mãe.
Tudo isto e muito mais é a informação que está impressa em todas as células do feto. Então você pega da avó informações de quando ela estava grávida de sua mãe.
Você já ouviu falar que a genética às vezes pula uma geração?
Pois é exatamente isso.
Do óvulo que foi gerada levas informação da avó materna.
Mas, porque da avó e não do avô?
Porque a avó coloca o óvulo e o espermatozoide o avô. E o óvulo contem parte da informação genética mitocondrial, o que é na membrana da célula.
Enquanto o avô, informações mitocondrial está na cauda do espermatozoide, e como você sabe, no momento da fecundação, a cauda é deixado de fora.
Na mitocôndria é onde está registrada a informação a níveis de programas que se herdam.
Foi uma grande descoberta. Ao tornar-se consciente a vida dela, muitos dos meus medos eram medos delas. E compreendi sua vida, honrado, eu podia sentir "magicamente" livre de muitas coisas que estavam me impedindo de avançar, era como uma energia estagnada que não fluiu.
E você, o que você sabe sobre sua avó materna?

(Texto colhido de: Constelações Familiares & Terapias Complementares)

domingo, 19 de novembro de 2017

A FAMILIA NARCISISTA


Na família narcisista, só existe uma estrela, e essa é o narcisista. Todos revolvem ao seu redor. O amor, o acolhimento, os cuidados e a liberdade de expressão são reprimidos e substituídos por abusos (psicológicos, físicos, etc) e controle.
 Nessas famílias existe uma regra não escrita que é a de não discutir essa dinâmica que deve ser mantida como um segredo de família. Os limites podem ser muito rígidos ou inexistentes.
 Os filhos são usados como extensão dos pais e não são encorajados a desenvolver o seu próprio eu autêntico. Eles são forçados a assumir papéis que refletem a disfunção da família; ou seja: acabam servindo de tela de projeção da patologia dos pais.
Segundo a Drª  Karyl McBride em seu artigo The Narcissistic Family Tree, a pesquisa e a experiência clínica mostram que os filhos adultos de famílias narcisistas têm muita dificuldade de descobrir exatamente o que há de errado, por que a negação é extremamente intensa no sistema familiar narcisista.
“Tipicamente, o filho de uma família narcisista está repleto de raiva não reconhecida e se sente como uma pessoa vazia, inadequada, defeituosa. Ele pode sofrer episódios esporádicos de ansiedade e depressão sem  ter ideia de como foi que ele ficou assim.”
Aqui estão enumeradas algumas dinâmicas de relacionamento neste sistema intergeracional profundamente disfuncional. Lembre-se de que há variações no grau de disfunção dependendo do grau de narcisismo patológico do pai, da mãe ou de ambos:
Segredos: O segredo dessa família é que os pais não suprem as necessidades emocionais dos seus filhos e/ou eles são abusivos de alguma forma. Essa é a norma em uma família narcisista. A mensagem que as crianças recebem é: “Não diga nada para os outros… finja que está tudo bem.”
Imagem: Para a família narcisista, imagem é tudo. Os filhos recebem as seguintes mensagens: “O que é que os vizinhos vão dizer?” “O que é que os parentes vão pensar?”. Essas são preocupações frequentes na família narcisista.
Mensagens negativas: Os filhos recebem mensagens verbais ou não verbais que depois ficam internalizadas. Mensagens típicas são: “Você não é bom o suficiente.” “Você só é valorizado pelo que você faz e não por quem você é.”
Falta de sintonia emocional: Pais narcisistas não têm a capacidade de entrar em sintonia com seus filhos. Eles não conseguem sentir empatia e nem amor incondicional. Eles são tipicamente críticos e preconceituosos.
Falta de comunicação efetiva: A forma mais comum de comunicação em uma família narcisista é através da triangulação. Isso significa que a informação não é dita diretamente e sim através de um terceiro. Os membros da família falam de uns com os outros, mas não se confrontam diretamente. Isso cria comportamento passivo-agressivo, tensão e desconfiança entre os membros da família. Quando a comunicação é direta, ela geralmente acontece em forma de raiva e fúria.
Falta de limites: Há poucos limites na família narcisista. Os sentimentos dos filhos não importam. Diários e correspondências são lidos, limites físicos não são respeitados. O direito a privacidade não costuma fazer parte da historia familiar.
Um dos pais é narcisista, o outro fica orbitando: Se um dos pais é narcisista é comum o outro ficar orbitando em função dele para manter o casamento intacto. Algumas vezes o pai ou mãe não narcisista terá algumas qualidades redentoras para dar aos seus filhos, mas ele(a) ficará amarrado tentando satisfazer as necessidades do esposo(a) narcisista. Isso frequentemente deixa os filhos sem terem suas necessidades satisfeitas. Quem é que está lá para eles?
Os irmãos não são encorajados a serem próximos: Em famílias saudáveis, os irmãos são encorajados a serem amorosos e próximos uns dos outros. Na família narcisista os filhos são colocados uns contra os outros e aprendem a competir uns com outros. Existe muita comparação entre quem está se sobressaindo melhor. Alguns filhos ou um deles é mais “favorecido” do que o(s) outro(s). Um é visto como o “filho de ouro”, e o outro se torna o “bode expiatório” onde os pais projetam seus sentimentos negativos. Em famílias narcisistas os irmãos raramente crescem se sentindo emocionalmente conectados uns com os outros.
Sentimentos: Os sentimentos são negados e não discutidos. Os filhos aprendem a engolir e reprimir seus sentimentos. Pais narcisistas geralmente não estão em contato com seus próprios sentimentos e por isso projetam seus sentimentos nos outros. Isso implica em não assumir a responsabilidade e na falta de honestidade. Sentimentos não processados acabam vazando de formas nada saudáveis.
Mensagem de “não ser bom o bastante”: Em famílias narcisistas essa mensagem está sempre presente de uma forma ou de outra. Mesmo que o comportamento do narcisista seja arrogante e cheio de gabarolices, por trás desse verniz o narcisista possui a psique de alguém que não se gosta, e isso é transmitido para a criança.
Disfunção óbvia ou encoberta: A dinâmica das famílias narcisistas podem ser óbvias ou camufladas. A dinâmica presente em lares aonde ocorrem abusos violentos é geralmente óbvia, mas quando os abusos são emocionais e psicológicos, como no caso de pais negligentes, ela é geralmente encoberta.
Considerando essa dinâmica, é fácil ver que essa é uma família que pode parecer bela por fora, mas como diz o antigo ditado: “Por fora bela viola, por dentro pão bolorento”. Se você se reconhecer nesta dinâmica, saiba que há esperança e que sua recuperação é possível. Nós não podemos mudar o passado, mas podemos assumir o controle do nosso presente. Nós não precisamos nos definir pelas feridas do nosso sistema familiar.
Traduzido e adaptado por Silvia Rawics, especialista em transtorno narcisista.