
OS CAMPOS DE CONHECIMENTO
As
constelações familiares utilizam algo completamente novo que até agora
não havia sido percebido conscientemente por nenhuma outra disciplina
terapêutica. Trata-se do fenómeno do “campo de conhecimento”. Este
conceito foi introduzido por Albrecht Mahr. Sem a compreensão deste
fenómeno é impossível entender e levar a cabo o trabalho com as
constelações familiares.
Através
do conceito de “campo de conhecimento” descreve-se o fenómeno pelo qual
os representantes têm acesso ao conhecimento que têm as pessoas que
eles representam. Percebem os sentimentos e as relações na constelação
da família, tal qual como essas pessoas. Os representantes põem-se em contacto com um estrato ou verdade muito profundo das relações nesse sistema desconhecido. Este é um fenómeno que até ao momento ainda não foi esclarecido.
A
pessoa que tenha realizado a constelação presta total atenção a tudo o
que dizem os representantes. Poucas vezes se vê que estas informações
sejam rejeitadas por serem falsas. Pelo contrário, produz-se assombro
sobre a verdade contida nessas expressões, ainda quando o comportamento
externo, quotidiano, da família seja distinto. Embora isto possa parecer
incrível, durante as constelações observa-se que pessoas totalmente
estranhas são um canal para a verdade do sistema correspondente.
Imaginem,
estimados leitores, que estão num grupo que pretende realizar uma
constelação familiar, um participante desconhecido até esse momento
apresenta-se, elege-o a si como representante e posiciona-o num lugar na
sala.
As suas pernas começam a tremer no momento em que você toma
o lugar junto aos outros membros da família e se compenetra no seu
papel. Sente-se atraído pela irmã situada à sua frente e rejeita o irmão
que está ao seu lado. Uma tia esquecida e excluída colocar-se-á em
frente a si. Repentinamente vêm-lhe as lágrimas aos olhos e sentirá amor
por esta pessoa desconhecida.
Isto soa disparatado e é natural
que de início nos sintamos cépticos sobre este fenómeno. Contradiz a
lógica do salutar senso comum e as dúvidas são razoáveis. Naturalmente
que a pessoa que duvida também experiencia reacções dos representantes e
os fortes sentimentos que aparecem. Será a autoridade do terapeuta que provoca estas reacções? Uma vez, depois de uma demonstração deste trabalho, acusaram-me com ira de “pura manipulação”. Ou
será talvez auto-sugestão e os representantes trazem os seus próprios
sentimentos, das suas famílias, à constelação e assim tudo se confunde
cada vez mais? Note-se, contudo, que aparecem reacções que pouco ou nada têm que ver com a família própria.
O
nosso são senso comum e as nossas experiências passadas são os pontos
de referência para avaliar o mundo que nos rodeia. As constelações
familiares apresentam uma visão do mundo contrária àquela que até agora
tem a maioria das pessoas. É notável que este fenómeno que aparece nas
constelações seja mais fácil de aceitar por um leigo do que pelo
psicólogo profissional. Todo o seu conhecimento impede-o de ver e
comprovar todo o desconhecido até ao momento. (…)
A experiência pessoal é a melhor demonstração.
Ainda que o primeiro papel como representante possa parecer difícil, a
pessoa acostuma-se a este fenómeno em cada novo papel até que finalmente
tudo se torna normal e óbvio. (…)
A energia do “campo de conhecimento” expressa-se em duas direcções. As constelações familiares são, em primeiro lugar, um inventário das energias subliminares existentes numa família. Isto demonstra-se pelo lugar em que alguém está situado, a distância que há entre ele e os outros membros da família e a direcção em que olha. Os representantes percebem e compartilham estas energias.
A energia do “campo de conhecimento” expressa-se em duas direcções. As constelações familiares são, em primeiro lugar, um inventário das energias subliminares existentes numa família. Isto demonstra-se pelo lugar em que alguém está situado, a distância que há entre ele e os outros membros da família e a direcção em que olha. Os representantes percebem e compartilham estas energias.
Ao mesmo tempo, o “campo de conhecimento” tem uma energia que trata de alcançar a cura.
Os representantes percebem uma corrente que os atrai, umas vezes mais
forte, outras mais débil. Este influxo está sempre presente e orienta-se
para a solução. O terapeuta pode, assim, confiar nos representantes
mais do que aquilo que se acreditava no início das constelações
familiares. (…)
Através de Rupert
Sheldrake, conhecido biólogo e autor, que também conhece o trabalho de
Hellinger, chega-nos o termo “campo morfogenético”, em vez de “campo de
conhecimento”. Este termo foi cunhado por biólogos da evolução para
esclarecer porque razão as pernas e os braços são de diferente forma
apesar de terem os mesmos genes e proteínas. O campo
morfogenético é uma espécie de plano de construção invisível, a partir
do qual o organismo em desenvolvimento toma a sua forma.
Através
deste termo tão-pouco se esclarece nada acerca dos fenómenos de
percepção dos representantes nas constelações. Apenas soa melhor e mais
científico. A esse respeito Sheldrake afirma “a dificuldade reside em que ninguém sabe nada acerca dos campos morfogenéticos e seus efeitos”.
Para os que fazem constelações familiares, este fenómeno é melhor descrito como “campo de conhecimento.
Bertold Ulsamer (2004). Sin Raíces No Hay Alas. La Terapia Sistémica de Bert Hellinger. Ediciones Lucienárga.
Tradução do castelhano por Eva Jacinto
Tudo que li são verdades é impressionante como o representante demostra o sentimento da pessoa fiz uma para minha filha e a representante falava igual ela
ResponderExcluirSem contar o resultado foi ótimo 😍
ResponderExcluirSimmm, somente experienciando para sentir o campo atuando.Beijuus obrigada Fran pelas suas colocações
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