sábado, 8 de setembro de 2018

A FORÇA DAS CONSTELAÇÕES

A FORÇA DA CONSTELAÇÃO




A força da constelação é a do próprio sistema, que tenta se rearranjar, a partir daquilo que emana dos excluídos, que precisam ser incluídos. Isto é assim pois toda energia tem uma energia oposta contrária: se ela for de expulsão, haveria uma energia de inserção ressoando no campo. Essa é a força maior.

A força do constelador, aquela que o movimenta, varia conforme a personalidade de quem faz o trabalho. Não existe uma força única porque existem muitas pessoas, diversas personalidades e inúmeras forças individuais.

Vivenciar é mais sábio do que estudar. Devemos buscar as certezas nas vivências e na observação, tentando identificar especificidades e evitando generalidades, fugindo de técnicas prontas feitas para outras finalidades, tais como técnicas de relaxamento, de mapas mentais ou doutrinação. Para mim, a maioria delas deriva do desejo de controlar e evitar pontos de incerteza.

Para mim, relaxar significa deixar os pensamentos soltos para serem interpretados e vivenciados; mapas mentais não existem porque são construções intelectuais que prescindem de sentimento; doutrinação não funciona porque fala do passado, enquanto a experiência é aberta para o agora. Por essas razões, no meu trabalho, opto por refrear tais coisas, mantendo uma atitude fenomenológica, dentro de um movimento intuitivo espontâneo, que brota da minha história pessoal, da qual faz parte as minhas raízes genéticas permitindo, portanto, uma forma de participação da minha ancestralidade, fazendo-lhe devidos tributos. Na prática isso surge em flashes, lampejos e entendimentos súbitos que precisam ser acolhidos como parte de um todo pessoal.

Querer colocar a força da constelação dentro de uma caixinha doutrinária, na tentativa de organizá-la, é se afastar da essência daquilo que ela é. A organização é necessária mas ela sempre vem depois, aos poucos, com o repetir da experiência, ajeitando os fatos de maneira emocional e racional. Ou seja, é uma organização que nasce da experiência - ao invés do intelecto - e que fundamenta as experiências sensíveis futuras.

Uma coisa importante é o constelador saber quais eventos dizem respeito ao cliente, mas que eles também podem produzir sensibilidades tanto no próprio constelador como no representante. É imprescindível para a postura do constelador levar em conta os limites do propósito e do significado. Por exemplo, identificando quando é um fenômeno significativo apenas para o constelador (e ser capaz de se calar diante disto) e quando é uma comunicação para o representante, sendo capaz de respeitar o que ele está experimentando no íntimo, sem trazer isso à tona – ainda mais em um momento que o representante está indefeso por estar com a consciência desdobrada pela representação. Em resumo, é importante saber traduzir os acontecimentos, aproveitando as oportunidades com sabedoria, mesmo que isto traga novos desafios de compreensão.

As constelações ajudam as pessoas a crescerem nas capacidades intuitivas e na sensibilidade, e as duas coisas podem ser utilizadas na vida em geral. Tem intuições que não devem ser transmitidas a terceiros, exceto para oferecer apoio e tranquilidade para aquele que procura. Não se pode ser impositivo ou sufocante pois essa conduta deixaria de ser natural e criaria obstáculos para quem é ajudado e, inclusive, para quem ajuda. Em razão de eu ainda fazer representações, posso afirmar que detesto quando o facilitador não discerne que um fato só diz respeito unicamente à minha organização em um dado momento específico.

Como todos sabem, as constelações familiares evoluíram desde o modelo trazido por Bert Hellinger até o que elas produzem nas pessoas hoje. As constelações não são mais uma técnica abandonada, dessas que não foram capazes de produzir efeito. Pelo contrário, elas são eficazes. E se algo funciona, tenderá a funcionar melhor porque valerá a pena ser aperfeiçoada. Tudo evolui. Esse destaque é importante para evitarmos radicalismos nos processos que vivenciamos e permitirmos que as circunstâncias se adequem às pessoas e ao campo. Isso é um tipo de movimento natural presente na evolução das coisas.

Um outro ponto importante é a força que movimenta os fenômenos. No começo eu já pontuei, disse ela ser proveniente do sistema, dos fatos do passado e da ancestralidade. Mas tudo isso tem assento em um campo que evolui associado à evolução das pessoas que estão se familiarizando com ele.

Como é um processo que aproveita a personalidade das pessoas, ele é regido por forças internas pessoais. Que forças são essas? De novo: as forças internas pessoais: não importa o nome que se dê a ela!

O importante é a pessoa ter conexão, integrando isso com ela mesma, com as verdades que ela acredita, com aquilo que está acontecendo objetivamente, a fim de não ser algo só do mundo subjetivo pois a força serve a um propósito objetivo de alguém que habita o mundo.

Você está convidado a participar das constelações, sentir a força do campo e desenvolver a sua força pessoal.


[Autor: Miguel Mello. Psicólogo. Constelador. Doutor. Escritor]

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