Com o egoísmo entrou o mal no mundo. Isso teve que ocorrer, pois o bem
não pode ser compreendido sem o mal. Por meio dos triunfos do ser humano
sobre si mesmo, o mal proporciona a possibilidade para o desabrochar do
amor. [...]
Mas o futuro da humanidade consistirá ainda em outra
coisa além do amor. O aperfeiçoamento espiritual será, para o ser humano
terrestre, a meta mais valiosa. [...]
O aperfeiçoamento é algo por meio
do qual queremos fortificar e estimular nosso ser, nossa
personalidade. Mas devemos ver nosso valor para o mundo somente nos
atos de amor, não nos atos de autoaperfeiçoamento.
Quanto a isso, não
podemos entregar-nos a nenhuma ilusão. [...] da sabedoria que alguém
coloca a serviço do mundo, terá valor somente a porção que esteja
impregnada de amor.
A sabedoria que está submersa no amor, que impulsiona o mundo [...] exclui a mentira. Pois a mentira opõe-se aos fatos, e quem se coloca com amor dentro dos fatos não conhece a mentira. A mentira provém do egoísmo, sem exceção.
Quando, por meio do amor,
encontramos o caminho para a sabedoria, então penetramos, por meio da
força crescente da superação, por meio do amor sem egoísmo, também na
sabedoria. Com isso, o ser humano torna-se uma personalidade livre. O
mal era o subterrâneo em que penetrou a luz do amor; é ela que torna
reconhecível o sentido do mal, a posição do mal no mundo. A luz
tornou-se reconhecível devido às trevas.
Fonte: GA 143, palestra de 17/12/1912, “Amor, poder, sabedoria”, pp. 44-45. Revisão da redação (sem cotejo com o original): VWS. Ver também o verso “O mal, o ruim,/Permanecem enigmas ...”e o texto “Como o mal entra na vida? ...”
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