Quem está ressentido, não está livre
"Na constelação o paciente reconhece onde se encontra atado e onde tem potencial para desatar essas ataduras.
Não se trata de mudar comportamentos, mas de mudar posições
fundamentais, que levam ao crescimento. Talvez, a partir desse
crescimento, ele possa então mudar comportamentos.
Quando começo a trabalhar com um grupo de constelação, explico que em
grande medida é o conceito que o paciente tem sobre a vida que o levou
até o ponto onde ele se encontra neste momento.
Explico-o através de um exemplo, que designo por “ecologia da doença”:
quando na sequência da fratura de uma perna nos colocam o gesso que nos
obriga a ficar na cama, sabemos que por um breve período de tempo não
vamos poder caminhar; quer dizer que o nosso corpo só investe nas
estruturas estritamente necessárias.
Porque é que um corpo pode manter uma doença por vezes ao longo de toda a
vida? Isso é explicável quando a doença tem um significado mais
profundo, ou quando o paciente dela beneficia, de forma inconsciente.
Este enquadramento da doença tange à responsabilidade pessoal pela
situação. O assentir à situação vital atual é, para mim, a premissa para
se realizar um trabalho de constelação e é também o primeiro passo em
direção à solução.
A experiência mostra que quando uma pessoa não pode dizer “sim” à sua
situação de vida, à sua vida tal como a recebeu dos seus pais, então não
pode dizer “sim” àquilo que se revela numa constelação.
Só tem futuro quem está em consonância com o seu passado.
Quem está ressentido com seu passado, está atado, e, portanto, não está livre para o futuro.
A força para a solução e para a cura vem da consonância.
Portanto, a anamnese que faço é determinada pela pergunta: qual é o tema
com o qual o paciente não está em consonância? Isto pode referir-se à
sua vida pessoal, de um trauma, de um movimento interrompido, ou pode
também ir para além da sua vida pessoal.
Nas constelações com doentes torna-se evidente que a visão sobre a vida
pessoal não é suficiente. Para uma vida plena, com saúde, é necessário
estar em consonância com os nossos pais, com a história da nossa família
e com a história do mundo tal qual como ele é.
O oposto da consonância é a reclamação, a culpabilização e a censura. Com isto, estreitamo-nos e paralisamos.
Quando termina, vivenciamos a resolução como curativa e pacificadora da alma e do corpo.
Nas constelações a doença revela-se-nos na sua condição de força
reguladora à serviço do indivíduo, da família e de sistemas maiores."
Stephan Hausner. Curación en Sintonía. Una conversación con Marianne Franke. 21.09.06. In ECOS-boletín nº 21, enero de 2009.
Fonte e tradução do castelhano por Eva Jacinto.
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